Vítimas integram campanha contra exploração sexual: 'Escapei da morte'

Duas jovens que foram vítimas de abuso sexual  participam de uma campanha realizada em Goiás para o combate à exploração de crianças e adolescentes, principalmente em estabelecimentos às margens de rodovias. Elas contam sobre suas experiências para outras meninas que ainda vivem em situação de risco. “Escapei da morte. Me sinto segura de mim mesma e com coragem de enfrentar”, afirma uma delas, que não quis ter a identidade revelada.

Segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Goiás é o quarto estado brasileiro com mais pontos de exploração sexual às margens de rodovias federais. De acordo com levantamento, foram identificados 175 locais de vulnerabilidade no ano passado, índice maior do que o registrado em 2013, quando havia 168.

A outra jovem, que tem hoje 26 anos, conta que começou a ser explorada aos 16. “Comecei em agência, trabalhei muito tempo em agência. Querem as novinhas, bonitinhas, que nunca teve filho, que chegou agora, inocente, que não conhece nada”, diz.

Segundo o psicólogo Waldomiro Scalabrini, meninas que se rendem à exploração sexual e à prostituição, na maioria das vezes, já foram vítimas de abusos.

“Se essas pessoas que são as pessoas que deveriam tomar esse cuidado são as pessoas que violentam, então meu corpo não tem valor para mim também. Se eu amo elas e elas me amam e não me respeitaram, por que eu vou respeitar o meu próprio corpo?”, diz.

Para se recuperar do trauma, o especialista orienta que é fundamental o apoio psicológico. Quem já conseguiu se afastar dos riscos, sonha agora com um futuro muito diferente. “Eu estou mais feliz, mais alegre. Espero que eu possa ser uma grande bióloga no futuro”, comemora a primeira garota.

A Secretaria de Direitos Humanos ressalta que as denúncias sobre exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100. A identidade de quem faz a denúncia é mantida em sigilo.

 

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