STF decide por faculdade de interrupção da gravidez em casos de fetos anencéfalos

Polêmico? Penso que sim. Primeiro, não podemos fazer analogias precipitadas, nem tomar posicionamentos acelerados. Mas cabem algumas considerações. É impossível não mostrar nesses casos uma opinião original.

Acredito que a vida é bem indiscutível, indisponível. Mas o que é vida? Ou o que é morte? O que é ser? Ou deixar de ser? Infelizmente por fatores desconhecidos alguns fetos tem má formação, e acabam não desenvolvendo a máquina maior do corpo humano, um componente indispensável para viver de forma eficaz e consciente. Mas responda-me a uma pergunta, uma mulher que se vê numa situação dessas, deve ser punida três vezes? Primeiro por ver que seu filho sonhado terá poucas condições de viver, para não dizer nenhuma condição, já que atualmente a medicina mundial não vê condições de sobrevivência de anencéfalos. Segundo carregá-lo em seu ventre até o fim da gestação sem poder interromper a gravidez, e terceiro ser punida criminalmente, quando na realidade esse trauma já será sua maior punição.

Não falo em valores religiosos senhores, mesmo reconhecendo-os e sendo cristão, mas falo em matéria de homens livres, de uma democracia onde o debate deve prevalecer frente a questões puramente ideológicas muitas vezes fundamentalistas. Lembro que a decisão quase unânime do STF não obriga, mas dá a faculdade a essas mulheres, as que acham que devem continuar também terão esse direito democrático.

Mas valeu acima de tudo o debate, e acho que ninguém é dono de uma verdade suprema, somos tão limitados quanto outros elementos. Acho que o mais importante é não deixar que a obscuridade de fundamentalismos deixem a razão ser ceifada. Aos que acham que a decisão foi errada é um direito e mais que um direito normal é um direito fundamental. Mas acredito sim, que foi uma decisão que apesar de polêmica foi, a meu ver, acertada.

Comentários

2 Comentários

  1. Concordo com a lei, afinal, ela só permite a escolha de uma mãe sobre querer ter ou não um filho que não tem vida. Não adianta falarem que há vida, pois não há. Bebes com essa doença não possuem consciência e nenhuma chance de vida. O estado não está pondo arma na cabeça de ninguém, o que ele fez foi dar o direito de escolha. Na qualidade de homem, nunca saberei como é ser mãe, mas imagino a experiencia terrível que não é ter um filho sem vida. Fácil falar que não faria o aborto, se é que se pode se chamar de aborto, afinal agente só se "aborta" algo que poderia ter vida. Enfim, não vejo motivo para tanta discussão.

Leave A Reply