Sobe para 14 o número de denúncias contra ginecologista por abuso sexual

Subiu para 14 o número de mulheres que formalizaram denúncia de abuso sexual durante exame ginecológico contra o médico Pedro Augusto Ramos da Silva, de 57 anos, em Ariquemes (RO). A informação foi divulgada na sexta-feira (20) pelo delegado Rodrigo Camargo, responsável pelo caso. O ginecologista está preso desde o dia 2 de março na Casa de Detenção do município. A primeira denúncia surgiu no dia 26 de fevereiro.

De acordo com o delegado, a 14ª paciente fez a denúncia após ser intimada pela polícia para prestar depoimento sobre os procedimentos adotados pelo médico durante as consultas. “Intimamos cerca de duzentas pacientes atendidas pelo ginecologista num hospital particular do município e, até o momento, já ouvimos pelo menos 70 mulheres. Dentre elas, uma nova paciente relatou ter sofrido o suposto abuso sexual durante o procedimento de exame ginecológico”, esclarece.

Camargo reitera que a primeira fase das investigações visa ouvir apenas as mulheres atendidas pelo médico em um hospital particular de Ariquemes. O delegado garante que após todas elas prestarem depoimento, deve intimar as pacientes atendidas em duas unidades de saúde da rede pública. Ele acredita que o número de denúncias contra o médico pode aumentar.

A Polícia Civil garante que deve encerrar o inquérito até o dia 1º de abril, para relatar o caso ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO), que avaliará se denúncia ou não o médico. Rodrigo explica que, caso sejam comprovados os abusos sexuais, o profissional deve responder por estupro de vulnerável.

Procurado pelo G1, o advogado do médico, Márcio Gomes, disse que a defesa deve se manifestar sobre as acusações somente após a conclusão do inquérito policial.

O caso
Os supostos abusos cometidos pelo médico Pedro Augusto começaram a surgir em Ariquemes a partir do dia 26 de fevereiro após a denúncia à Polícia Civil de uma paciente de 22 anos. Ela contou que o crime aconteceu durante um exame ginecológico realizado no dia 25 de fevereiro. Depois do primeiro depoimento da jovem, mais três mulheres procuraram a delegacia e acusaram o médico.

Prisão
Com as denúncias, a prisão preventiva foi concedida pelo judiciário e o médico foi preso no dia 2 de março. Por conta do anúncio da prisão do profissional, outras nove mulheres o denunciaram por abuso, somando 13 registros. “São mulheres que não se conhecem, de faixa etária, condições financeiras e níveis de escolaridade diferentes. Todas elas descreveram a mesma situação. Isso de certa forma reforça os indícios de autoria”, relata Camargo.

Registros em outros estados
Segundo o delegado Camargo, há indícios que o médico tenha praticado crimes da mesma natureza no Acre, Amazonas e Mato Grosso antes de mudar-se para Ariquemes. “Recebemos um documento oficial que lá no Amazonas corre uma ação contra o investigado por abuso sexual. Quatro pacientes denunciaram o médico. O processo ainda permanece em tramitação”, diz Rodrigo.

O titular da Delegacia da Mulher do município esclarece ainda que os antecedentes em outros estados não vão servir para a análise dos casos em Rondônia, já que, segundo ele, são situações diferentes, mas reitera que servirão para demonstrar os precedentes do investigado. “O judiciário deve instruir a investigação com documentos que possibilite o magistrado averiguar quais são os antecedentes do suspeito e o juiz deve levar essas provas adicionais em consideração caso venha condená-lo”, explana Camargo.

Conselho de Medicina
O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia (Cremero), Cleiton Bach, assegura que a entidade instaurou uma sindicância interna para investigar. Bach destaca que será dada a oportunidade de ampla defesa ao profissional, mas que, caso seja comprovado o crime, entre as punições previstas, o médico pode ter o diploma cassado. Segundo o Cremero, o médico possui registro em Rondônia há seis meses, e o profissional é registrado em outros nove estados.

Comentários