Simone Spoladore fala sobre cenas de nudez em “Magnífica 70”: “É muito natural”

Boca do Lixo, região central de São Paulo, 1973. É nessa atmosfera que o censor da ditadura Vicente (Marcos Winter) se envolve numa produção cinematográfica e num triângulo obsessivo com Dora Dumar (Simone Spoladore) e Manolo (Adriano Garib) em “Magnífica 70”, série que estreia no HBO no domingo.

Na história, durante a sessão do filme “A devassa da estudante”, a que assiste para classificar para a ditadura, Vicente se encanta pela protagonista, Dora, e acaba indo trabalhar na produtora Magnífica 70, do título da série.

Com personagens que levam vidas paralelas, dramas e transgressões, a obra retrata a época de grande efervescência cultural no Brasil e no mundo. Dirigida por Cláudio Torres, a atração tem 13 episódios, com uma hora de duração cada, e é transmitida para toda a América Latina simultaneamente.

– “Magnífica 70” é baseada em circunstâncias reais, não em personagens reais. O que nos interessou retratar é a história dos seres humanos envolvidos numa época muito repressora – conta o diretor.

Na pele da lolita que é o fio condutor da história, Simone afirma que aceitou fazer Dora por ela ser um mistério. Sobre as cenas de nudez – que não são poucas -, a atriz diz não existir drama na hora de tirar a roupa.

– Fiquei encantada com os personagens multifacetados. Dora está sempre se transformando. É uma golpista e se aproxima da produtora para roubar dinheiro e tentar salvar seu irmão, que está preso e com dívidas dentro da cadeia – explica Simone, que completa: – A nudez no trabalho é muito natural desde sempre, principalmente quando é parte importante numa história.

Já Vicente, casado com Isabel (Maria Luisa Mendonça), é a tensão em pessoa. Winter conta que buscou referências em experiências pessoais para viver intensamente o papel.

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– É uma série em que as pessoas vão se transformar muito. Vicente vive esse desespero, essa angústia do passado e do presente que caiu no colo dele com o filme – afirma Winter, que lembra a experiência que teve com o período de repressão no país: – Vivi a época de pegar as censoras em suas casas e levá-las ao teatro para ver nossa peça antes de entrar em cartaz. Isso foi em 1984. Era o fim da ditadura, mas ainda existia.

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