Réus no caso do torcedor morto por privada no Recife vão a júri popular

Os três acusados de envolvimento na morte do torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva, 26 anos, atingido por um vaso sanitário no entorno do estádio do Arruda, no Recife, em maio do ano passado, vão a júri popular. A decisão foi anunciada nesta quinta (5) pelo juiz Jorge Luiz dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, após a última audiência de instrução do caso. Waldir Pessoa Firmo Júnior, 34 anos, Luiz Cabral de Araújo Neto, 30 anos, e Everton Filipe Santiago Santana, 23, vão responder por homicídio consumado e três tentativas de homicídio. Os réus tiveram a prisão preventiva decretada em maio de 2014.

“Em conclusão, a decisão é de que os réus devem ser submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. Admitidos os pressupostos para julgamento pelo Júri, necessário apreciar as qualificadoras apresentadas, de motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, agregadas à acusação de homicídio. Como visto nos autos o motivo do crime seria a rivalidade entre a torcida organizada do Santa Cruz e a torcida organizada do Sport que acompanhavam o jogo entre Santa Cruz e Paraná”, destacou o magistrado.

Na audiência desta quinta foram ouvidas três testemunhas. Uma de acusação, a delegada Gleide Nascimento Ângelo, e duas de defesa do réu Luiz Cabral. Ainda foram ouvidos novamente os três réus. A sessão começou às 13h30 e terminou às 18h45. O juiz Jorge Luiz dos Santos acredita que o júri popular aconteça ainda este ano.

As investigações do caso foram conduzidas pela delegada Gleide Ângelo, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A denúncia contra o trio foi oferecida ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) em 23 de maio de 2014. Após o crime, a Polícia Civil de Pernambuco prendeu outros integrantes de torcidas organizadas por suspeita de vandalismo, tumulto generalizado, dano ao patrimônio público e formação de quadrilha.

Entenda o caso
Paulo Ricardo Gomes da Silva morreu em 2 de maio após sair do jogo entre Paraná e Santa Cruz, pela Série B do Brasileirão. Imagens gravadas na área externa do estádio do Arruda flagraram o momento exato em que os dois vasos foram lançados de uma área próxima à arquibancada. Os objetos foram arremessados de uma altura de 24 metros, de acordo com o Instituto de Criminalística (IC). O professor de física Beraldo Neto avaliou a altura e calculou que os vasos chegaram ao chão com um peso de 350 quilos, cada um.

Os suspeitos foram presos dias após a morte. No dia 12 de maio, eles participaram da reconstituição do crime, que esclareceu detalhes da ação dentro do estádio. Desde então, eles estão detidos no Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, Grande Recife.

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