Primeiras Impressões: Jeep Renegade

Com grande investimento em publicidade, a Jeep Renegade chega para concorrer em um dos segmentos que ainda projetam crescimento, mesmo em mais um ano de queda nas vendas de carros: o de SUVs.

É uma aposta praticamente “all-in”, momento em que o jogador de pôquer põe todas as suas fichas em uma única mão de cartas. A Jeep espera que o Renegade responda por quase 90% das vendas neste ano e já planeja exportar para a América Latina o modelo feito em Goiana (PE), na nova fábrica do grupo Fiat Chrysler.

Pelo menos a aposta não é blefe. Pode não ser uma sequência real de mesmo naipe (a mão mais valiosa no pôquer), mas é uma boa jogada. O Renegade consegue reunir características urbanas e off-road, com visual que pode agradar jovens – de idade ou, pelo menos, de espírito.

Segundo expectativa da fabricante, as versões mais acessíveis, equipadas com motor 1.8 flex de 132 cavalos de potência (o mesmo do Fiat Bravo com leves mudanças) e características mais urbanas, devem representar 78% das vendas. No pôquer, elas seriam dois pares ou no máximo uma trinca – jogadas que não são espetaculares, acontecem frequentemente, mas têm boas chances de vencer.

Já com motor 2.0 turbodiesel (170 cv) e câmbio automático de 9 marchas, o Renegade se transforma em pelo menos um “full house” – mão que combina uma trinca e um par. Claro que ela é mais difícil de ocorrer. Na vida do jipinho, a dificuldade serão os preços, a partir de R$ 99.900, enquanto as menos potentes começarão em R$ 66.900.

Nada de ‘Uno grandão’
O visual do Renegade combina pontos do robusto e corajoso Wrangler com o estilo mais ousado e dinâmico da Cherokee. Assim como as recentes reestilizações da Jeep, o desenho não é aclamado de forma unânime.

A fusão com a Fiat e alguma semelhança nas linhas fazem alguns chamarem o Renegade de “Uno grandão”, mas não tem nada a ver. Ele foi pensado desde o começo como um utilitário esportivo e utiliza a mesma plataforma do 500X, a versão “anabolizada”, sim, mas do pequeno 500 ou Cinquecento.

A Jeep segue apostando na inovação visual após bons resultados: foi a marca que mais cresceu em percentual de vendas no ano passado, entre as 40 maiores do mundo, segundo levantamento da consultoria focus2move.

A meta da marca americana é atingir quase 2 milhões de veículos em 2018, um valor 6 vezes superior aos 330 mil registrados em 2009, logo após a crise financeira mundial. O Renegade terá papel fundamental nessa trajetória global, e o Brasil é o segundo país a produzir o jipinho, depois de Itália, que o exporta inclusive para os Estados Unidos, e antes de China e Índia.

Jogo de detalhes

Desde a versão mais básica, o Renegade é cheio de detalhes e equipamentos que são encontrados apenas em modelos mais caros, recurso também usado pelo seu mais novo rival, o Honda HR-V. A lista vai desde uma tomada 12V na traseira, para quem quiser recarregar algum eletrônico até controle de estabilidade e assistência na partida em subidas (veja itens de série de cada versão no final).

Novo ícone da história da Jeep, o desenho em X da lanterna traseira aparece também em outros lugares, assim como as 7 barras verticais da grade dianteira, uma marca de design herdada do Willys, que foi feito no Brasil na década de 1960.

De acordo com o vice-presidente de design Ralph Gilles, os mais aficionados e pacientes poderão encontrar 25 pequenas “surpresas” no interior do veículo, entre elas um mapa de trilha no porta-objetos do console central. Para qualquer lado que olhe, a marca faz questão de lembrar que você está dentro de um Jeep.

Versão flex
No Rio de Janeiro, foi testado uma versão Sport, equipada com motor 1.8 flex e câmbio automático de 6 velocidades, que custa a partir de R$ 75.900.

Ela deve ser uma das versões mais vendidas, ao lado da Longitude flex. Segundo a fabricante, o câmbio automático deve representar cerca de 75% das vendas, por isso apenas uma versão terá opção manual de 5 marchas.

No trecho urbano, o Renegade se mostrou à vontade, com posição agradável de dirigir e boa visão geral, ampliada pelos espelhos retrovisores externos gigantes. A direção elétrica facilita bem o trabalho, dentro de amplo raio de giro, o que ajuda em manobras de estacionamento e conversão em ruas mais apertadas.

Tudo é suavizado pela suspensão independente, tanto na dianteira, como na traseira. Isto significa que todas as rodas são capazes de absorver as imperfeições da pista, algo bem raro no segmento.

Outro “mimo” de série é o freio de estacionamento eletrônico, sem alavanca, que é acionado automaticamente quando o motorista pisa no freio e coloca o câmbio na posição P. Para soltar, basta descer a alavanca para D e acelerar, sem se preocupar. Ele também é “trunfo” do HR-V.

Os 132 cavalos do motor 1.8 16V E.torQ Evo, originário da Fiat, dão conta das necessidades dos motoristas na cidade, mas perdem um pouco o rumo com pequenas falhas do câmbio automático de 6 velocidades, que se atrapalha com trocas equivocadas em situações de maior exigência do motor.

O consumo não é dos melhores, principalmente com álcool. Segundo a fabricante, o consumo na cidade fica em 9,6 km/l (gasolina e 6,7 km/ll (etanol). Já no ciclo de estrada os números chegam a 10,7 km/l (gasolina) e 7,4 km/l (etanol).

Na terra

Apenas as versões com motor 2.0 turbodiesel terão a verdadeira capacidade off-road característica dos modelos Jeep, mas custarão pelo menos R$ 99.900 (Sport). Neste caso, o câmbio de 6 marchas ganha um upgrade para 9 marchas – o mesmo usado na Cherokee – e leva o carro a outro patamar.

O conjunto mecânico trabalha em harmonia e, surpreendentemente, com baixo nível de ruído e suavidade nos solavancos, graças a suspensão independente. Para o motorista, sobra saber qual a melhor hora para acionar a tração 4×4 reduzida e vencer obstáculos mais complicados.

Mesmo que ele não se lembre que existe essa função, o sistema inteligente distribui a força da melhor maneira possível, se adequando a diferentes tipos de terrenos.

No teste, o Renegade Sport subiu e desceu estradas de terra bastante esburacadas, com algumas pedras grandes, e quem mais “suou” foram os passageiros que optaram por abrir o teto solar e apreciar a vista em vez de se fecharem no ar-condicionado.

A mesma trilha talvez fosse um obstáculo intransponível para as versões flex, sem tração 4×2 e com 19 kgfm de torque, ante 35,7 kgfm da versão turbodiesel.

Além de força, os modelos 4×4 ganham também o seletor para 4 tipos de terreno (5 na topo de linha Trailhawk) e controle eletrônico de velocidade em descidas, que permite encarar um declive forte sem o pé no pedal de freio.

Abastecido com diesel, o Renegade faz 15,9 km/l na estrada e 12,3 km/l na cidade, de acordo com a fabricante. Embora cerca de 40 cv mais potente, a velocidade máxima não é muito maior que o 1.8 flex, com 190 km/h ante 181 km/h.

Conclusão
O Renegade pode ser um dos últimos a entrar no mercado, mas deve ser o que melhor se encaixa na definição de utilitário esportivo, combinando características off-road, visual moderno e bom pacote de equipamentos e de segurança desde as versões mais básicas.

O jipinho pode perder para concorrentes em quesitos isolados, por exemplo, com o porta-malas de apenas 260 litros, mas deve ser um ponto de comparação para a grande maioria dos interessados no segmento.

Mesmo com a diferença entre os motores, todas as versões apresentam acabamento interno mais cuidadoso que a média e controle eletrônico de estabilidade. A meta de ser líder é ambiciosa, mas parece que a Jeep está investindo todas as suas fichas no lançamento que populariza sua marca. A briga vai ser boa.

VEJA OS EQUIPAMENTOS DE CADA VERSÃO:

A Jeep promete lançar posteriormente uma versão ainda mais básica, por R$ 66.900, mas não diz quando e nem o que ela terá. Abaixo estão as configurações e preços de lançamento.

Sport 1.8 Manual (5 marchas) – R$ 69.900
Freios ABS, airbags dianteiros, ajuste do volante em altura e profundidade, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bipartido, chave canivete com telecomando, volante multifuncional, computador de bordo, controle eletrônico de estabilidade e anticapotamento, controle de tração, piloto automático, direção elétrica, espelhos retrovisores elétricos, freio de estacionamento elétrico, freios a disco nas 4 rodas, faróis e lanterna traseira de neblina, assistente de partida em rampa, isofix, limitador de velocidade, rodas de liga leve 16 polegadas, sensor de estacionamento traseiro, som com 6 alto-falantes USB e Bluetooth, tomada 12V, vidros e travas elétricas nas 4 portas.

Sport 1.8 Automático (6 marchas) – R$ 75.900
Todos os equipamentos da versão anterior, mas com câmbio automático de 6 velocidades no lugar do manual.

Sport 2.0 4×4 Automático (9 marchas) – R$ 99.900
Todos os equipamentos da versão anterior, com câmbio automático de 9 velocidades, controle eletrônico de velocidade em descidas, tração 4×4, seletor para 4 tipos de terreno.

Longitude 1.8 Automático (6 marchas) – R$ 80.900
Todos os equipamentos da versão Sport 1.8, mais aletas para trocas de marcha no volante, ar-condicionado digital de 2 zonas, câmera de estacionamento traseira, maçanetas externas na cor do veículo, pavimento do porta-malas com revestimento duplo, rodas de liga leve 17 polegadas, tela multimídia sensível ao toque de 5 polegadas, navegação por GPS, tapetes de borracha, volante em couro.

Longitude 2.0 4×4 Automático (9 marchas) – R$ 109.900
Todos da versão anterior, com tração 4×4 e seletor para 4 tipos de terreno

Trailhawk 2.0 4×4 Automático (9 marchas) – R$ 116.900
Todos da versão anterior, mas acendimento automático dos faróis com regulagem de altura, adesivo no capô, alavanca do câmbio em couro, alerta de limite de velocidade e manutenção programada, banco do passageiro rebatível, ganchos de reboque (2 dianteiros e 1 traseiro), lanterna removível, molduras no painel em vermelho, porta-objetos sob o assento do passageiro, protetores de cárter, transmissão, tanque e diferencial, pneus all terrain, sensor de chuva, suspensão off-road mais alta.

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