Polícia investigará caso Chã de Cruz

Três homens, incluindo um adolescente, foram detidos por populares por estarem praticando assaltos. Um deles apanhou e levou um tiro. Morreu na hora. Os outros, depois de serem espancados, foram amarrados pelas mãos e forçados a caminhar por cerca de 20 quilômetros, trajeto que terminou em Chã de Cruz, em Paudalho. Sadicamente, um vídeo registrou o percurso.

Várias motos seguiram a dupla, buzinando. Em um tom de carreata. É possível ouvir algumas pessoas sugerindo matá-los.

As imagens podem ser analisadas pela polícia para identificar os participantes da barbárie. Tudo começou no assentamento do INCRA, zona rural de Igarassu. Acusados de realizaram roubos no local, tornaram-se vítimas: Rosiel Sotero da Silva, 18 anos – que morreu -, Bruno da Silva de Oliveira, 20, e o jovem com 17 anos.

Sob controle da Polícia Militar, Bruno foi autuado por estar de posse um revólver de calibre 38. Uma fiança no valor de um salário mínimo foi arbitrada. No entanto, o rapaz não pagou, por isso, foi recolhido para o presídio de Igarassu, de acordo com informações do delegado de Paudalho, Marcos Roberto da Silva.

O adolescente precisou receber atendimentos médicos e foi liberado. “Em depoimento, Bruno negou que estava assaltando, mas informações colhidas na área com os populares, a agressão e os linchamentos se deram porque eles tinham uma arma”, explicou o delegado.

As investigações, no que diz respeito ao linchamento, ficarão sob a responsabilidade do delegado Francisco Océlio. Após tomar conhecimento da ocorrência, a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social iniciou diligências para investigar o caso. Contudo, nenhuma denúncia de participação de agentes de segurança no incidente foi registrada.

Em resposta à cena degradante, a secretaria executiva de Direitos Humanos de Pernambuco enviou menção de repúdio. A pasta garantiu que acionou o Centro Estadual de Apoio às Vítimas da Violência de Pernambuco (CEAV) para prestar atendimento aos familiares da vítima fatal, bem como afirmou que vai acompanhar o inquérito. “Vamos observar as investigações para evitar novos casos como esse. Vamos dialogar com a Secretaria de Educação para fortalecer a educação em Direitos Humanos.

É importante que esse tipo de prática seja desconstruído na escola”, afirmou o gerente de promoção e defesa dos direitos humanos, Luciano Freitas.

No início do mês, um homem de 29 anos foi linchado por moradores do Jardim São Cristóvão, em São Luís, no Maranhão. Ele teria tentado assaltar um bar, quando foi rendido, amarrado nu em um poste e agredido até a morte. Em São Paulo, há cinco anos, um homem suspeito de assassinar um adolescente foi linchado até a morte.

Por engano. Em 2012, em Olinda, um homem foi espancado até a morte em Peixinhos, confundido com um suspeito de estupro. Nem novidade, nem pioneirismo. O caso de Paudalho é só o reflexo de uma sociedade doente.

“É o sintoma da ausência do Estado, quando a pessoa acha que não existe punição e decide fazer com as próprias mãos. A violência é tratada como coisa banal, as pessoas que cometem esse tipo de violência se sentem protegidos pela impunidade”, explicou o sociólogo Nadilson Silva.

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