Polêmica, choro, amor italiano e prata: Ingrid rouba a cena no início do Pan

Perceber que não evoluía mais como ginasta foi a grande sacada de Ingrid Oliveira. Aos 12 anos, a menina de Niterói observava as colegas treinando e tinha a sensação de que estava ficando para trás. Depois de três anos se dedicando ao esporte, resolveu mudar. Tinha duas opções: o nado sincronizado e os saltos ornamentais. Ingrid acertou de novo ao optar pelos saltos. Sete anos depois do recomeço, ela conquistou sua primeira medalha pan-americana ao ficar com a prata na plataforma sincronizada de 10m ao lado da parceira Giovanna Pedroso nos Jogos de Toronto.

– Eu vim da ginástica. Fiz dos 9 até os 12, em Niterói, no Sérgio Jatobá. Comecei porque minha mãe me incentivou. Comecei ao lado da minha irmã. Fui gostando, mas vi que já estava muito velha, comecei já com nove. As meninas da minha categoria já faziam elementos bem mais elaborados e eu não. Minha irmã foi antes para os saltos, via a Juliana (Veloso, atleta do Time Brasil) saltando e resolveu ir. Eu fiquei mais um pouco e depois fiquei na dúvida entre os saltos ornamentais e o nado sincronizado. Fui fazer a aula experimental dos saltos e vi a técnica de nado brigando muito com as meninas. Pensei para mim: “Não vou fazer isso não”. Escolhi certo e me apaixonei pelos saltos – se recorda Ingrid.

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Assim que conquistou a medalha de prata em Toronto, Ingrid não recebeu apenas felicitações da família. Na Itália, o dono do seu coração, o saltador italiano Giovanni Tocci, acompanhou tudo como pôde. Eles namoram há um ano e dois meses. Ela vai até a Itália quando pode, ele viaja até o país da amada quando consegue, e matam as saudades nas redes sociais. A brasileira, contudo, quase “namorou o italiano errado”.

– Ele também é saltador. Mas a história é engraçada. Conheci um amigo dele achando que era ele. Era outro menino, e eu achava que era meu namorado. E eu ficava falando do meu namorado com esse menino achando que fosse outro garoto. Ele deve ter percebido. Confundi as duas pessoas. E o garoto que eu conversei falou com o meu namorado que tinha uma brasileira falando dele. E aí trocamos telefones, nos conhecemos e namoramos – lembra Ingrid.

Namorar a distância não preocupa Ingrid neste momento. Pelo contrário. Sem tempo para se dedicar ao relacionamento, ela prefere que continue assim. Ao menos até as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, seu grande objetivo imediato.

– Ele continua morando na Itália, eu no Brasil, mas ele vem me visitar, eu vou visitá-lo também. Acredito que é mais difícil um namoro assim, acham que são dois idiotas namorando longe um do outro, mas não tenho tempo de sair, encontrar um namorado todo dia, então a distância tem seu lado bom. Dou atenção a ele pela internet, sempre nos apoiamos, tentamos conversar, não perder o contato. Ele me dá apoio. Sempre – diz a saltadora.

O Fluminense entrou na sua vida em 2008, pouco depois do começo na nova modalidade. Foi no tricolor carioca que a moradora da Tijuca, Zona Norte do Rio, evoluiu na modalidade. Torcedora do clube, Ingrid não chega a acompanhar os jogos no Maracanã, mas já teve a oportunidade de ser homenageada em pleno estádio pelo time que defende no Rio de Janeiro.

– Fui para o Fluminense em 2008. O clube sempre me ajudou em tudo. Ajuda de custo, escola, alimentação. E até levaram a gente no Maracanã, para a volta olímpica quando ganhamos competições por equipe nove vezes seguidas. Foi muito legal. Fomos no jogo e tudo. Não acompanho o futebol, mas sou tricolor (risos) – garante a atleta.

Pacata, Ingrid tem jeito moleque. Adora videogame e prefere os jogos mais escolhidos pelos meninos, como de tiros e ação. Ir à praia não lhe faz a cabeça. Um cinema de vez em quando tudo bem…

– Quando não estou treinando gosto de comer, dormir e jogar videogame. Curto Resident Evil. Jogo de menininho. GTA também. Para tirar o stress do treino (risos). Eu sou um Panda. Só como e durmo. As vezes vou no cinema com as amigas, a Giovanna. Não gosto muito de praia – explica.

A rotina de treinos a afastou dos estudos. Ingrid parou em 2012, ao completar o ensino fundamental, mas espera retornar para a sala de aula já em agosto, depois do Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan, na Rússia.

– Tive que me dedicar aos saltos. Treinar de manhã e de tarde. Eu vou recomeçar agora, em agosto, queria ir de noite, mas não consegui, mas vou buscar outra unidade para ter essa chance. Estou bem satisfeita por tudo que estou vivendo e não faço a menor ideia de como vão ser as coisas no Brasil quando voltar depois do Pan – brinca a jovem de 19 anos.

Sonhando com as Olimpíadas do Rio 2016, Ingrid deixou de lado toda a polêmica que se envolveu depois que sua foto com o maiô de treino virou assunto nas redes sociais. Conquistou a medalha de prata na plataforma sincronizada dos 10m ao lado de Giovanna e quer mais.

– Sabemos que temos muito que melhorar, mas somos a dupla que mais tem vencido no Brasil. Temos muito trabalho pela frente, só que sonhamos com o Rio 2016 e queremos chegar bem lá. Esse é o nosso foco – garante Ingrid.

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