PM flagrado ao agredir segurança em bar no Recife é suspenso por 120 dias

O governador de Pernambuco, João Lyra Neto, autorizou nesta quinta (18) a abertura de um conselho de justificação para apurar a transgressão disciplinar e conduta criminosa contra a honra militar do tenente Joaci Justino, 42 anos, investigado por tentar assassinar o segurança de um bar, no bairro do Derby, área central do Recife, no último final de semana. A solicitação foi da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS), que também suspendeu o PM, preventivamente, por 120 dias.

O pedido de abertura do conselho foi levado ao governador pelo secretário da SDS, Alessandro Carvalho, na tarde desta quinta. Lyra assinou e o conselho começa a valer na sexta-feira (19), após publicação do Diário Oficial do Estado. “Ele já está respondendo a um inquérito penal na 2ª Delegacia de Homicídios, há um sindicância instaurada no 13° Batalhão, unidade na qual ele está lotado, e hoje eu trouxe um pedido de conselho de justificação, que é o instrumento legal onde se apura crimes como esse, onde há uma grave ofensa ao pundonor [honra]militar e a pena é passível de exclusão”, explicou o secretário.

O secretário assinou nesta quinta a suspensão preventiva do tenente, que vale por 120 dias, podendo ser prorrogada por igual período. A ideia é que o conselho de justificação acumule a investigação da sindicância aberta pelo 13° Batalhão. “Nós queremos que nesse prazo a gente conclua a investigação administrativa. Diante das imagens que nós temos ficou claro que foi crime bárbaro, e isso é uma exceção, esse não é o comportamento dos policiais militares da nossa polícia. Ele será julgado com todo rigor”, afirmou Alessandro Carvalho.

‘Estou com medo 24 horas’
No final da tarde, o segurança Lucas Silva dos Santos, 29 anos, espancado pelo tenente e por um colega do PM, falou com a imprensa após prestar, pela segunda vez, depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “Eu só vim confirmar o que tinha falado na primeira vez. É o que está na filmagem: ele foi pegar a cerveja, eu não deixei, depois ele foi do outro lado e me agrediu”, relatou.

O segurança, que já trabalhava há cinco anos no estabelecimento onde houve a confusão, alega que em nenhum momento xingou ou agrediu o tenente “Ele disse que era policial militar e eu disse que por ser policial tinha que dar exemplo. Disse que ele era policial trabalhando na rua, fardado, e que no bar ele estava como cliente e não podia abrir o freezer”.

O segurança afirma que não tem recebido nenhum tipo de ameaça, mas ainda está em estado de choque com a violência da agressão. Também assegura que não quer voltar a trabalhar no mesmo local. “Eu estou com medo 24 horas, eu e minha família. As imagens vêm na mente direto. Eu só espero Justiça, que ele responda pelo crime que ele cometeu. Eu tenho certeza que ele tentou me matar, aquelas coronhadas e pedradas para ficar vivo é que não era, foi Deus quem colocou a mão na hora”, disse.

Investigação
O comerciante Gleidnaldo Santos, que ajudou o tenente a espancar o segurança, se apresentou à polícia na manhã desta quinta-feira. Ele foi ouvido pela delegada Andréa Busch durante quatro horas e liberado em seguida, sem falar com a imprensa.

A advogada do comerciante, Silvana Duarte, disse que Gleidnaldo só participou da agressão porque havia bebido demais. Ela informou que o cliente tem residência fixa e está à disposição da Justiça para esclarecimentos.

A delegada informou que ainda aguarda o resultado da perícia traumatológica para concluir o inquérito, que tem prazo de 30 dias. “Toda a ação está gravada, então não tem muito o que esconder. Ambos só deram mais detalhes sobre o que ocorreu [em seus depoimentos], e teve algumas contradições. É nítido também que eles não estavam embriagados, dá para ver [na filmagem]eles andando normalmente e batendo com muita força na vítima. É uma situação bem difícil de eles conseguirem sair dessa sem responder por algum crime”, disse.

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