Paralisação de servidores afeta serviços essenciais no RS

O protesto de servidores estaduais contra o parcelamento de salários adotado na sexta-feira (31) pelo governo do Rio Grande do Sul alterou a rotina de parte da população na manhã desta segunda-feira (3). A mobilização afeta serviços essenciais como segurança pública, transporte e educação.

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Mais de 47% dos servidores não receberam o salário integral do mês de julho. O pagamento será feito em três parcelas. Na sexta (31), os servidores receberam a primeira, de R$ 2.150,00. Outra parcela, de R$ 1 mil, deve ser depositada até o dia 13 de agosto. Para os funcionários que recebem salário superior a R$ 3.150,00, o restante será pago até 25 de agosto.

Em Porto Alegre, uma caminhada de servidores estaduais bloqueia o trânsito na Avenida Borges de Medeiros, no centro da capital. Eles saíram do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em direção ao Palácio Piratini, a sede do governo gaúcho. Confira abaixo os principais serviços afetados até o momento.

Delegacias só atendem casos graves
Desde a madrugada, a Polícia Civil está registrando apenas ocorrências de crimes contra a vida, como assassinatos e estupros. Ocorrências de rotina não são atendidas, e muitas delegacias estão fechadas. Em Santa Maria, na Região Central, policiais civis se algemaram para protestar contra o parcelamento dos salários.

A Brigada Militar também começou uma operação padrão no final de semana. Nenhuma viatura sai dos quartéis sem que esteja em perfeitas condições. Por isso, muitos policiais militares fazem rondas a pé, tanto na capital quanto no interior.

Havia do temor de que os policiais militares ficassem aquartelados e não fossem para as ruas nesta segunda-feira (3), o que acabou não se confirmando. O Comando-Geral da Brigada Militar reconhece que houve redução no efetivo em função das manifestações, mas garante que há policiamento nas ruas de Porto Alegre e do interior do estado.

Na capital, familiares de policiais militares protestaram pela manhã em frente à sede do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM). Segurando cartazes e faixas, esposas e filhos de policiais bloqueiam o trânsito por períodos curtos na Avenida Praia de Belas.

O 9º BPM atende 14 bairros da área central da cidade e mais as quatro ilhas do Guaíba. O comandante do batalhão, tenente-coronel Francisco Vieira, afirmou que há policiais nas ruas, mas com efetivo reduzido. “Temos 10 viaturas, de 20 a 30 homens trabalhando. Aquelas pessoas que não têm urgência, que não venham para cá”, afirmou.

No interior do estado, também houve protestos de PMs. Durante a madrugada, por volta das 4h30, pneus foram queimados no km 10 da ERS-446, em Carlos Barbosa, na Serra. Faixas e cartazes foram colocados às margens da rodovia. O mesmo ocorreu no km 68 da ERS-122, em Farroupilha.

Ônibus da Carris não circulam
Em Porto Alegre, os ônibus da empresa pública Carris, a mais importante da cidade, não estão circulando na manhã desta segunda. Os rodoviários alegam falta de segurança nas ruas da capital em função da redução do efetivo da Brigada Militar.

Desde a madrugada, rodoviários se concentraram em frente à sede da empresa, no bairro Partenon. Por volta das 9h, uma assembleia da categoria decidiu que os coletivos não irão circular no turno da manhã. Uma nova votação deve ser realizada à tarde.

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) organizou uma operação para compensar a falta de ônibus da Carris, cuja frota é de 383 veículos e 29 linhas. A companhia transporta cerca de 250 mil passageiros diariamente e responde por 22% de todo o serviço na capital gaúcha.

Para suprir a falta de coletivos da Carris, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) deslocou ônibus de outras empresas privadas para tender as linhas transversais. A Conorte atenderá linhas T1 e T4 com oito ônibus. Já a STS atenderá linha T11 com 10. A Unibus atenderá linhas T6 e 346, também com 10 ônibus.

Volta às aulas prejudicada
Escolas estaduais sofrem os reflexos da paralisação de professores que aderiram ao dia de mobilizações dos servidores públicos. A volta às aulas dos alunos após as férias foi prejudicada em instituições de Porto Alegre e também do interior do estado.

A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) pede aos pais que façam contatos com as escolas dos filhos antes de sair de casa para confirmar se haverá aula ou não. A secretaria afirma que o calendário escolar será mantido.

Já a orientação do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers-Sundicato) é para que as escolas fiquem com as portas fechadas por 24 horas. Adere à paralisação quem quiser, diz o sindicato.

Em Porto Alegre, várias escolas amanheceram fechadas. Um dos mais tradicionais da capital, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos não abriu os portões. No Instituto de Educação, cartazes fixados nas grades alertavam sobre as paralisações.

Nas 50 escolas estaduais de 11 municípios do Norte do estado abrangidos pela 17º Coordenadoria Regional de Educação (CRE) não houve aula nesta manhã. Alunos que compareceram foram informados da adesão à paralisação do funcionalismo público e dispensados pelos diretores.

Um grupo de professores está acorrentado em frente à CRE, em Santa Rosa, em um ato simbólico à decisão do parcelamento de salários. Segundo o sindicato da categoria, as aulas devem ser retomadas ao longo dos próximos dias, conforme adesão das escolas.

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