Pai acusado de matar filho diz que tráfico decidiu sobre guarda do bebê

Filho de pais separados, o pequeno Thainan Nonato de Moraes, de 1 ano, pode ter tido o seu destino selado por uma espécie de poder paralelo. Acusado de matar a socos a criança, o ajudante de pedreiro Éder Moraes de Lima, de 22 anos, pai do menino, foi preso um dia após o assassinato. Em depoimento prestado na Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), ele contou que a guarda de Thainan lhe foi dada por um traficante do Morro Dois Irmãos, comunidade onde ele e o bebê viviam, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

A morte da criança ocorreu dia 16 de maio, quatro meses depois de Éder ter levado o filho para morar com ele. No depoimento, o ajudante de pedreiro não conta detalhes de como teria acontecido a suposta sessão do tribunal do tráfico nem dá o nome de quem a convocou. No entanto, diz que foi escolhido pelo traficante para ficar com o menino, por conta de ser o pai biológico da criança, já que a mãe de Thainan morava com outro homem.

Corpo no armário

Ele também afirmou na Divisão de Homicídios que a decisão não lhe agradou, uma vez que não queria ficar definitivamente com o filho – somente nos fins de semana.

A promotora Cláudia Portocarrero, que denunciou Éder Moraes por crime de homicídio, considerou grave a revelação feita pelo pai da criança.

– Isso está num depoimento constituído nos autos, ainda não sabemos se ocorreu. Mas os autos apontam para esse fato, o que já é grave – disse a promotora.

Éder é acusado de matar o filho com socos no peito e na cabeça. O crime ocorreu na casa do ajudante de pedreiro, quando os dois estavam sozinhos na residência. Para a polícia, Éder alegou ter perdido a cabeça, depois que o menino começou a chorar.

Após o crime, Éder enrolou o corpo da criança num lençol e o guardou num armário. Em seguida, foi até a 54ª DP (Belford Roxo), onde registrou uma queixa, dizendo que o filho havia sido sequestrado por traficantes do Castelar, em Belford Roxo. A farsa, porém, veio à tona depois que parentes da mãe do menino encontraram o corpo da criança.

Família nega versão

Parentes da mãe do bebê negaram a versão de que Thainan tenha sido entregue ao pai pelo tráfico.

– É mentira. Nós queríamos que o Thainan ficasse conosco. Pedimos que ele pagasse uma pensão, mas o Éder não concordou e levou a criança – disse um parente.

Para a promotora Cláudia Portocarrero, não há dúvida de que o ajudante de pedreiro matou o próprio filho. Éder está com a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele está na Cadeia Pública Cotrim Neto, em Japeri.

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