Ônibus do Grande Recife terão aumento médio de 10,26% na tarifa

As tarifas de ônibus do Grande Recife terão um aumento médio de 10% a partir de segunda-feira (12). Os anéis B e D ficarão com preços congelados. A decisão foi tomada na manhã desta sexta-feira (9) durante reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), no Centro de Convenções (Cecon) de Pernambuco, em Olinda. Enquanto a reunião acontecia em Olinda, um grupo de manifestantes fez um protesto contra o aumento, na área central do Recife.

O aumento aprovado, na verdade, foi de 12,93% e equivale à variação do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE), acumulado de janeiro de 2013 a dezembro de 2014. As passagens do anel “A”, que custam hoje R$ 2,15, passarão a custar R$ 2,42. Já o anel “G” deixa de custar R$ 1,40 e passa a valer R$ 1,58. As tarifas “B” e “D” foram congeladas e continuam custando R$ 3,35 e R$ 2,65, respectivamente. Os dois anéis que tiveram os preços alterados sofreram um reajuste de 12,9%, mas a taxa média ficou em torno dos 10%. As tarifas serão arredondadas pela Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe) ainda nesta sexta (9).

Passe livre
O encontro decidiu ainda que, no início do segundo semestre, será implantado o passe livre para estudantes da rede pública de ensino, além de estudantes cotistas e atendidos pelo Prouni. A medida beneficia aproximadamente 310 mil estudantes. O Conselho decidiu também que 400 novos ônibus devem integrar a frota até o fim do ano, sendo 200 deles entregues ainda no primeiro semestre.

A implementação do passe livre vai contar com uma Comissão de Trabalho, instituída também na reunião do Conselho, e que, de acordo com o secretário das cidades André de Paula, está aberta a receber ideias. “A comissão vai discutir as condições da implementação: biometria, carteira, frequência; muitas ideias para aperfeiçoar essa determinação”, afirma.

A reunião foi realizada no Centro de Convenções de Pernambuco, durando cerca de duas horas. A decisão foi votada pelos 19 membros do Conselho, que é presidido pelo secretário das Cidades, André de Paula. Participaram do encontro ainda cinco representantes da sociedade civil, entre eles o presidente da Urbana-PE, Fernando Bandeira, o representantes dos estudantes, Lenine Miranda e o representante dos usuários de ônibus, Cirano Lopes. As propostas eram três: a dos usuários e estudantes, de não haver reajuste; a da Urbana-PE, de reajuste de 24%; e a proposta do governo, que foi vencida com um total de 12 votos.

De acordo com o secretário André de Paula, a medida é um importante compromisso do governo atual. “Nós formamos uma comissão de trabalho para isso e essa comissão tem prazo para fazer acontecer”, aponta, lembrando que no primeiro dia de aula do segundo semestre os estudantes cadastrados vão ter o passe livre. ” Os anéis B e D não estão sendo ajustados. Se você ver analisar isso, vê que o reajuste é bem mais baixo do que a correção do próprio IPCA”, completa.

Já os representantes da sociedade civil que fazem parte do Conselho discordam do aumento. “Nós temos uma retenção de IPCA. Se pegarmos o IPCA pleno, de 2007 para 2015, encontramos o índice de 24%”, esclarece Fernando Bandeira, sobre a proposta de reajuste da Urbana-PE. “O aumento aprovado não traz o equilíbrio econômico e financeiro das empresas”, completa.

O metroviário Cirano Lopes, que representa os usuários de ônibus no conselho há cerca de sete anos, pede também que haja maior transparência no que diz respeito aos aumentos. “Falta informação que justifique esse reajuste. Precisamos ter base para isso, um controle efetivo sobre esses custos”, aponta. O doutorando Lenine Miranda, representante dos estudantes no Conselho, lembra também que se tornou membro ainda quando era estudante de graduação, e reivindica que haja mais reuniões da entidade.

Miranda apresentou as propostas dos estudantes na reunião – nenhum aumento nas tarifas, passe livre para todos os estudantes, implementação de bilhete único, realização de conferência interestadual para discutir o transporte, entre outras. “O passe livre é uma luta de muitos anos, estamos satisfeitos com essa vitória”, comentou, ressaltando porém que o aumento não condiz com o transporte público.

Tarifa única
Ainda de acordo com o secretário André de Paula, o Governo do Estado tem um compromisso político de implementação de uma tarifa única. “Nós consideramos que permanecer com os valores atuais nos anéis B e D significa claramente que o governo está a caminho de resgatar esse compromisso”, explica.

Serviço
“A partir de agora, este é o nosso desafio. Vamos nos debruçar sobre terminais, obras que precisam ser acabadas”, pontua. “O terminal de Joana Bezerra está pronto, só falta o anel viário. Ele não é um terminal, é um muro com proteção para chuva, é uma coisa degradante”, exemplifica o secretário, que teve uma reunião sobre o terminal na quinta-feira (8) e revelando que vai intensificar o trabalho para que o novo terminal seja liberado.

Contra
O protesto foi organizado pela Frente de Luta pelo Transporte Público em frente ao Grande Recife Consórcio de Transporte, no bairro de São José, área central da capital pernambucana, onde aconteceria a reunião para discutir o reajuste da tarifa. No entanto, na noite de quinta-feira o órgão informou que a reunião foi transferida para o Cecon e o local do protesto foi mantido. O grupo faz uma caminhada até Secretaria das Cidades, na Rua Gervásio Pires, bairro da Boa Vista. Durante o percurso, os manifestantes gritavam frases como: “Paulo fujão, não me leve a mal. O passe livre que eu quero é integral”.

O protesto foi acordado em uma plenária que contou com a participação de representantes da classe estudantil, de movimentos sociais e do sindicato dos rodoviários na última segunda-feira. O movimento lamenta que “o governo fuja ao povo ao mudar o local da reunião”. Além de estudantes e representantes da Frente de Luta, participam do ato representantes do Sindicato dos Rodoviários e do Partido Socialista (PSOL).

“Nós vamos continuar pressionando para mudar o entendimento sobre o conselho (de transporte metropolitano), que é ilegítimo porque só conta com quatro representantes da sociedade civil”, falou, no início do protesto, o representante da Frente, Pedro Josephi. Ele ressaltou que a organização é contra qualquer aumento e pede a tarifa única de transporte. Os manifestantes ainda afirmaram que não concordam com o passe livre anunciado pelo governador na quinta porque ele beneficia apenas os estudantes estaduais e só garante o acesso ao colégio. “Educação é muito mais que ir e vir da escola. Nós também queremos acesso a bens culturais”, afirmaram.

A Frente de Luta estendeu uma faixa a apenas dois metros da linha de policiais e pintou o asfalto com expressões como “tarifa zero” e “se a passagem aumentar a cidade vai parar”. Os manifestantes também levaram um carro de som. Além do bilhete único, pedem melhorias no sistema de transporte público e transparência nas contas das empresas de ônibus.

Ao saber que o aumento tinha sido aprovado, revoltados, reforçaram que o movimento não vai parar e vai voltar às ruas para barrar o aumento, “como aconteceu em junho de 2013”. Segundo Pedro Josephi, este é só o primeiro ato do Janeiro de Luta pelo Transporte Público.

O protesto desta sexta continua pacífico e com alguns bloqueios no tráfego. No entanto, alguns dos presentes demonstram insatisfação com a maneira que o ato está sendo conduzido e dizem querer “ir para a rua”. Ao longo da manifestação, foram fechados os cruzamentos da Avenida Guararapes com a Rua do Sol e da Avenida Conde da Boa Vista com a Rua da Aurora, na região central do Recife. O grupo seguiu para a Secretaria das Cidades, onde dez representantes serão recebidos pelo secretário executivo, Rui Rocha.

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