Noite de domingo acaba em correria, tumulto e prisões no Bairro do Recife

A noite terminou em confusão e correria no Bairro do Recife neste domingo (11). Tumultos e princípios de arrastão foram vistos em vários pontos do bairro. Tiros também foram ouvidos. Ao todo, 12 pessoas foram presas, segundo a Polícia Militar. O clima de insegurança eclodiu logo no início da noite, depois de uma tarde marcada por atividades esportivas e culturais que levaram centenas de pessoas ao Marco Zero e redondezas.

O tumulto começou por volta das 19h30 na praça do Marco Zero, um dos pontos mais visitados da região. De lá, a correria se espalhou por todo o bairro. Houve registros de correria tanto na Rua do Bom Jesus quanto na Rua da Moeda. Segundo a Polícia Militar, 30 pessoas suspeitas foram abordadas pelo 16º batalhão da corporação, responsável pela segurança da área. Doze delas foram presas.

A jornalista Fernanda Durão, 26, viu quando tudo começo. “Um grupo de uns 30 meninos e homens se juntou e começou a brigar. Aí foi uma correria. Só que a polícia chegou, começou a correr atrás deles, conseguiu conter a confusão e deteve três homens. Aí, passou. Mas depois de meia hora apareceu outro grupo enorme do nosso lado”, contou Fernanda, que estava conversando com amigos na praça do Marco Zero, onde muitas pessoas também andavam de skate e patins.

Ao ver o novo grupo, Fernanda resolveu ir embora porque achou o movimento suspeito. “A gente percebeu que não era normal e se levantou para sair. Aí eles disseram: ‘Estão com medo, é? Não vamos fazer nada não’ e ficaram rindo. Quando estávamos saindo, a viatura da polícia que estava ali do lado viu o tumulto e avançou para dentro da praça. Ouvi quatro tiros e sai correndo”, revela a jornalista.

Depois disso, a confusão tomou conta da praça. O grupo correu para o lado da Central de Artesanato e a polícia foi atrás. Quem estava nos restaurantes do Armazéns do Porto ouviu os disparos e se assustou. Os clientes ainda relataram dois princípios de arrastão por volta das 20h. Acabaram revirando mesas e cadeiras tentando fugir.

Alguns jovens e policiais também correram para outros lados. A estudante de publicidade Rhayane Gomes, 21, estava na Rua da Moeda quando viu a confusão, por volta das 20h. “Vi um pessoal correndo e a polícia atrás. Depois de uns vinte minutos, outra correria. Os policiais revistaram umas cinco pessoas e o pessoal começou a ir embora, com medo”, contou. Ela disse que não deu para ver o que deu origem ao tumulto, mas muita gente que estava na rua também saiu correndo. Por isso, a confusão aumentou.

No outro lado do bairro, na Rua do Bom Jesus, também houve sustos. Quem estava passeando pela região no início da noite foi surpreendido por uma correria no meio da feirinha do Bom Jesus. Por lá, a Polícia Militar também interferiu, revistando e apreendendo um grupo de jovens. Segundo uma das testemunhas, o comentário era de que outros arrastões estavam ocorrendo ao longo do bairro.

Câmera quebrada
O princípio do tumulto, no Marco Zero, foi registrado pelas câmeras de segurança da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. O Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods), no entanto, preferiu não divulgar as imagens para não atrapalhar o andamento das investigações. Já a câmera de monitoramento da Secretaria de Segurança Cidadã não registrou nenhuma das ocorrências, porque está quebrada desde dezembro.

Segundo a Polícia Militar, os doze presos foram encaminhados à Central de Flagrantes, no bairro de Santo Amaro. A Central, no entanto, não atendeu aos telefonemas da reportagem para informar se e por qual crime os suspeitos foram autuados. Já a PM informou que o policiamento do Bairro do Recife é reforçado nos domingos desde dezembro, em vista da grande quantidade de pessoas que tem visitado a região neste dia da semana.

Quem foi ao bairro neste domingo confirmou que a movimentação era grande. Muitos visitantes chegaram cedo e só foram embora depois das 20h, assustados com a confusão. Para os visitantes fiéis, a insegurança também tem crescido. A estudante de psicologia Marianna Pimentel, 21, por exemplo, acredita que “o clima está mais tenso ultimamente”. “Semana passada também foi assim. Correria de um lado para e o outro e a polícia atrás”, revelou Marianna. Segundo ela, a correria aconteceu mais ou menos no mesmo horário que a dessa semana. Daquela vez, também não foi possível descobrir a causa da confusão.

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