No Recife, alunos da UPE reclamam de infraestrutura e fazem protesto

Alunos da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de Pernambuco (UPE) fazem protesto, nesta segunda-feira (11), na área central do Recife, contra o corte de verbas para a instituição pelo governo do estado. Os estudantes pedem também um concurso imediato para os professores da instituição, que conta com vários funcionários contratados por fora, sem serem efetivados. Os universitários chegaram a interditar um dos trechos da Avenida Agamenon Magalhães e seguiram em passeata para a Poli, na Zona Oeste da capital. O protesto foi convocado pelo Diretório Acadêmico da Poli e Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UPE.

De acordo com os alunos da Poli — onde se concentram os cursos de engenharia da UPE, no campus Benfica –, o impasse do corte de custos afeta uma série de atividades. “A UPE já não tem programas de assistência estudantil. Muitas cadeiras estão quebradas e até faltam outras na biblioteca. Nós temos professores que são contratados por fora, não são efetivos, e eles estão sem receber desde fevereiro”, relata a estudante Thaynnara Queiroz, aluna da graduação em engenharia elétrica e presidente do Diretório Acadêmico da Poli.

Thaynnara conta também que no campus Petrolina da universidade há 150 disciplinas sem professores e, por causa disso, muitos alunos estão atrasando os cursos. Na Poli, os professores contratados iniciaram nesta segunda (11) uma paralisação que deve durar uma semana, cobrando o pagamento dos salários atrasados. “Se esse corte de orçamento continuar, a universidade só tem como funcionar até o meio do ano”, comenta a estudante.

Os alunos da Poli também reclamam da estrutura do centro. A estudante Débora Soares, aluna de engenharia da computação, é cadeirante e enfrenta diariamente a falta de acessibilidade. “Todo semestre eu tenho que mandar a minha grade de horário para que as aulas sejam transferidas para o térreo”, conta. “Sou a primeira cadeirante em cem anos de Poli, quando cheguei não tinha nenhuma estrutura de acessibilidade. O bloco C tem laboratórios só para o meu curso, com computadores e equipamentos, mas fico limitada a estudar na biblioteca, porque não tem acessibilidade no bloco C”, lamenta a aluna.

Estudantes criticam ainda a infraestrutura do prédio. “O bloco K, que é o maior da Poli, praticamente não tem ar condicionado. Tive aulas do ciclo básico lá, a sala era cheia de alunos e o calor era insuportável”, comenta a aluna Milla Alcoforado, também do curso de engenharia da computação. “A biblioteca não suporta a quantidade de alunos, não tem cadeiras suficientes”, complementa. Em alguns locais da Poli, como na própria biblioteca, cadeiras quebradas são empilhadas, esperando conserto.

O reitor da instituição, Pedro Falcão, admitiu as dificuldades quanto aos professores e à infraestrutura da instituição, explicando que a situação acontece por causa do orçamento da UPE. “Um coisa está atrelada à outra, é a questão do orçamento. Os casos mais graves desses contratos [dos professores]são a Escola Politécnica e o campus de Petrolina”, comentou Falcão. De acordo com ele, há editais para serem abertos e concursos em andamento. “Esse pessoal está contratado mas estamos fazendo concursos, esse mês está saindo um edital com 54 vagas para professores em 2015.2 e já foi assinado um decreto com 280 novas vagas, que também serão gradativas”, apontou.

Falcão afirmou também que a reitoria deve se reunir com a equipe financeira do Governo do Estado para discutir o novo teto orçamentário da instituição. Segundo ele, o valor que o governo propôs representa um corte de pouco mais de 50% no orçamento, e não é suficiente para manter a universidade. O reitor disse ainda que o pagamento dos professores contratados também será uma questão discutida na reunião com o Governo. “Nós vamos apresentar até onde podemos ir com o orçamento. O teto colocado pelo governo é insuficiente”, completou.

Por telefone, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pela gestão financeira da universidade, informou ao G1 que a questão do orçamento da UPE está em fase de negociação e avaliação pelo Governo do Estado. Ainda esta semana haverá uma reunião específica para discutir a proposta orçamentária financeira para 2015, dentro dos limites do governo para este ano.

 

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