No Grande Recife, 2º dia de greve de motoristas começa com espera maior

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus da Região Metropolitana do Recife (RMR) continua nesta quarta-feira (15). Como ocorreu na terça (14), primeiro dia de paralisação, a categoria mantém parte da frota nas ruas. No entanto, quem precisa dos coletivos para ir ao trabalho reclama que os ônibus demoram muito a chegar. E, segundo o Grande Recife Consórcio de Transporte, o número de passageiros nos terminais integrados da RMR nesta quarta é maior que o da terça.

VEJA FOTOS DA SITUAÇÃO NOS TERMINAIS, PARADAS E GARAGENS

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE), 42% da frota — o equivalente a 1.200 veículos — estava circulando no início desta manhã. Às 7h, o percentual subiu para 50%. Decisão judicial divulgada na véspera do início da greve determinava que 70% dos ônibus deveria circular em horários de pico (6h às 9h e 16h às 20h). Na terça, o Sindicato dos Roviários defendeu que a ordem judicial estava sendo cumprida.

No Terminal Integrado de Camaragibe, no Grande Recife, por exemplo, alguns usuários dizem que aguardam há mais de uma hora pelo transporte. Eles ainda reclamam que os veículos BRT, integrantes dos corredores Norte/Sul e Leste/Oeste, não estão rodando. Desde o início da greve. Os carros estão parados desde o início da greve, na terça.

Em Olinda, a reclamação também era grande no TI Xambá. Segundo os passageiros, que formavam longas filas nas plataformas de embarque, o intervalo entre os ônibus nesta quarta está maior que o da terça. Por isso, quando um coletivo chega, os usuários correm e se apertam para forçar a entrada nos carros, que saem lotados.

No Terminal da Macaxeira, na Zona Norte do Recife, os pontos de embarque também já estão cheios. Para não perder os coletivos, muita gente se aglomera na pista, fora da parada. Já em outros pontos da Zona Norte, como a Estrada de Belém, a movimentação era pequena nas paradas, por volta das 6h15.

No TI Pelópidas Silveira, o maior da RMR, localizado no Paulista, os usuários dizem que a espera é ainda maior. No início da manhã, por exemplo, não havia ônibus da linha Pelópidas / Macaxeira. Segundo o Grande Recife, a linha voltou a operar por volta das 7h com cinco veículos, metade do número habitual. O Consórcio também encaminhou veículos articulados, maiores, para linhas de maior movimento.

Para André Melibeu, supervisor de operações do Grande Recife, a situação deve melhorar ao longo do dia. “Não é fácil o início da operação, porque a falta de motoristas ocorre em diversas linhas e o início acaba sendo desorganizado. Temos menos ônibus, mas a demanda de usuários hoje [quarta]é maior que a de ontem [terça]”, afirma.

Na terça-feira, o Sindicato dos Rodoviários afirmou que manteve 70% da frota nas ruas, como determinou o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). No entanto, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) afirmou que esse percentual variou entre 40% e 55%. Já o Grande Recife Consórcio de Transporte avalia que 50,77% da frota estava nas ruas entre 5h e 9h.

Motoristas e rodoviários pedem 12% de aumento no piso salarial e tíquete-refeição de R$ 300. As outras reivindicações são recebimento de tíquete-refeição nas férias, pagamento de pelo menos 50% do valor plano de saúde pela empresa, participação nos lucros e melhores condições de trabalho. Na última rodada de negociação, na quinta passada (9), o sindicato patronal ofereceu R$ 220 de vale-refeição e reajuste de 9,5%.

Patrões e representantes da categoria voltam a se encontrar às 11h desta quarta na sede do TRT da 6ª Região, no centro do Recife, para discutir as reivindicações. Pouco antes, às 9h, motoristas e cobradores pretendem realizar uma passeata pela área central da cidade. Eles vão se reunir na Praça do Derby, junto com integrantes do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, que também têm reivindicado melhores condições de trabalho, inclusive com paralisações das atividades por períodos de 24 horas.

Comentários