MPF diz que pilotos de avião que caiu e matou Campos podem não ter culpa

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou, na tarde desta quinta-feira (12), que descartou, por ora, a responsabilização dos pilotos que conduziam o jato Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, que caiu em Santos, no litoral de São Paulo, e causou a morte dos sete ocupantes, entre eles o então candidato à Presidência da República Eduardo Campos. O acidente completa seis meses nesta sexta-feira (13).

Segundo o procurador da República Thiago Lacerda Nobre, que acompanha o andamento do inquérito policial sobre o caso, ainda não é possível apontar a causa exata da queda, embora a apuração já tenha permitido excluir algumas hipóteses, como a absorção de aves pela turbina.

De acordo com o MPF, há evidências de que procedimentos de voo não foram respeitados quando o jato se aproximou de Santos para o pouso. No entanto, a repentina piora das condições climáticas na região pode ter interferido na condução da aeronave, e não se sabe se os pilotos, em trânsito, haviam sido comunicados sobre essas mudanças do tempo.

Sem os dados da caixa preta disponíveis, ainda não foi possível descobrir o conteúdo do diálogo antes do acidente. Informações preliminares indicam que a gravação de voz na cabine não foi realizada.

Ainda segundo o MPF, o avião estava com a manutenção em dia, o piloto e copiloto tinham habilitação e estavam familiarizados com o equipamento, além terem recebido treinamento. Segundo o procurador, eles já conduziam aquela aeronave há alguns meses e existia, inclusive, vinculação daqueles condutores à apólice de seguro firmada. Segundo regulamentos internacionais, era necessária a realização de cursos complementares, porém, não houve exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) nesse sentido, de acordo com as investigações.

O procurador também é responsável pelo procedimento administrativo que visa o pagamento de indenizações e a reparação de danos materiais. O jato estava assegurado por uma apólice da Bradesco Seguros. O MPF ainda apura se houve inadimplência por parte dos contratantes, mas há informações de que o seguro estava vigente, pois a companhia não comunicou oficialmente a rescisão do contrato. O valor a ser pago pela empresa poderá se destinar às famílias das vítimas e aos proprietários de imóveis avariados no entorno do local do acidente.

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