Motoristas de ônibus começam greve na RMR com parte da frota nas ruas

Começou na madrugada desta terça-feira (14) a greve dos motoristas de ônibus, cobradores e fiscais que atuam na Região Metropolitana do Recife (RMR). Nas paradas de ônibus e terminais integrais, a população reclama que os coletivos estão demorando muito e, por isso, saindo cheios.

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Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE), 40% da frota está circulando na manhã desta terça (14), o que representa 1.120 dos 2,8 mil ônibus que integram a frota da RMR. Os veículos do tipo BRT (Bus Rapid Transit) não estão nas ruas, de acordo com o Sindicato dos Rodoviários.

A assessoria de comunicação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que o funcionamento do metrô não será modificado ou reforçado, uma vez que 70% dos passageiros dos trens são oriundos dos ônibus. Como há menos ônibus circulando, o movimento no metrô está bem abaixo do normal.

O clima de insatisfação é grande principalmente entre os passageiros que estão nos grandes terminais de ônibus do Recife, como o da Macaxeira. Localizado na Zona Norte da capital, o TI recebe 13 linhas diferentes e aproximadamente 60 mil usuários por dia. Na Zona Sul da cidade, o TI da Joana Bezerra também tem muitos passageiros à espera dos ônibus. Por dia, o TI recebe dez linhas e aproximadamente 40 mil usuários.

Do lado de fora dos terminais, muitos táxis, mototáxis e até mesmo veículos particulares se apresentam para atender aos usuários que não conseguiram um ônibus, fazendo lotações. Equipes da Polícia Militar também estão de prontidão para evitar tumultos. Mesmo assim, dois coletivos foram depredados no Bairro de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife. Os veículos já foram recolhidos para a garagem.

As garagens das empresas que atuam na RMR, por sinal, estão cheias de ônibus que não foram às ruas nesta terça, como as das empresas Itamaracá e Cidade Alta, localizadas em Abreu e Lima e Olinda, respectivamente.

A greve dos rodoviários foi anunciada na segunda-feira (13) pelo sindicato da categoria, que pede 12% de aumento no piso salarial e tíquete-refeição de R$ 300 — na última negociação, o sindicato patronal das empresas de ônibus ofereceu R$ 220 de vale-refeição e reajuste de 9,5%. Para evitar maiores transtornos à população, os rodoviários disseram que 30% dos ônibus continuariam circulando. No entanto, horas depois, o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT6) determinou que 70% da frota de ônibus circule nos horários de pico (6h às 9h e 16h às 20h).

O Grande Recife Consórcio de Transportes está com fiscais nas garagens para avaliar a quantidade de veículos que está operando e deve divulgar um balanço às 11h. Mas, vendo o movimento do início da manhã, o supervisor de operações do Grande Recife, André Melibeu, afirma que o transporte da população não foi interrompido. “A gente circulou pelos terminais e garagens. Não está havendo problema na saída da frota para operação. A quantidade de veículos é menor que em um dia normal, mas a gente está conseguindo de fato transportar as pessoas”, diz.

Melibeu, no entanto, reconhece que o intervalo entre os ônibus está maior. “A gente está prevendo operar com 70% e não 100%. Então, logicamente tem uma redução no número de veículos. Nao é um dia normal, é um dia grevista”, diz o supervisor do Grande Recife, que pede para os rodoviários atenderem à determinação do TRT de manter 70% dos veículos nas ruas. O G1 tentou entrar em contato com o Sindicato dos Rodoviários para saber o percentual da frota que está operando, mas não recebeu uma resposta até o momento de publicação desta reportagem.

Melibeu ainda confirmou que dois ônibus foram depredados, mas ressaltou que não houve incidentes nos terminais integrados. Para evitar transtornos, o Grande Recife conta com apoio da Polícia Militar nos TIs, que ainda contam com segurança particulares. 

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