Motoristas de ônibus ameaçam fazer novos protestos contra a buraqueira

O excesso de buracos vem alterando a rotina do sistema de transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife. Depois do fechamento do TI Joana Bezerra, na área central da cidade, e da interdição da Estrada do Passarinho, em Olinda, nesta quarta-feira, o Sindicato dos Rodoviários ameaça fazer novos protestos, caso não haja providências. 

Na manhã desta quarta-feira, representantes do sindicato bloquearam o acesso dos coletivos ao TI, desviados na altura da Academia da Cidade, reivindicando reparos no asfalto do terminal, por onde circulam cerca de 50 mil passageiros por dia. A passagem foi liberada por volta das 13h30, quando o Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT) enviou dois caminhões com brita para amenizar as crateras. Instantes depois, um coletivo da Empresa Metropolitana quebrou a barra de transmissão ao passar no local, bloqueando novamente a passagem e obrigando os ônibus a utilizar a pista externa.

O cenário que se formou no TI foi de caos completo. Ônibus enfileirados de um canto a outro e passageiros tendo de caminhar até o metrô, driblando lama e áreas alagadas, sob muitos xingamentos. “É uma esculhambação”, diziam muitos. Boatos de assaltos os deixavam assustados. À tarde, muita gente se amontoava na pista externa do TI tentando pegar um ônibus. “O meu já passou direto, não tem parada certa nem ninguém para dar qualquer informação”, reclamou o professor Edacyr Mello, 27 anos. “Acho que é preciso a cidade estruturar suas vias para receber um sistema de transporte melhor.”

O diretor de Comunicação do Sindicato dos Rodoviários, Genildo Pereira, explicou que a entidade tem recebido muitas reclamações de motoristas que precisam pagar por peças quebradas em decorrência das crateras. “Há dois meses temos pedido soluções para essa questão, mas o Grande Recife tem sido negligente. E a empresa não quer saber se a rua está cheia de buracos, quer cobrir os prejuízos”, denunciou. “A situação não é ruim só para os motoristas. Os passageiros são obrigados a desembarcar na lama e na água e os assaltos aumentaram.”

O motorista Manoel Guedes, 40, que circula no terminal, disse já ter presenciado três coletivos quebrados por causa das crateras. “É um sofrimento para todos. Precisamos fazer muitas manobras para sair desviando dos obstáculos”, lamentou.

Antes de fechar o TI Joana Bezerra, os rodoviários pararam a operação da linha Caixa D’Água-TI Xambá também pelo excesso de buracos na Estrada do Passarinho, em Olinda. “Tem local que o ônibus entra pela metade”, afirmou Genildo. “Também estamos pedindo providências para o acesso ao TI da Estação Central e para a Estrada da Mirueira, pois os ônibus estão passando a dois quilômetros de distância da parada porque falta área de acesso, e as Prefeituras de Olinda e Paulista estão em queda de braço.” A via cruza os dois municípios.

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SEM DIÁLOGO – Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Pernambuco (Urbana-PE) se limitou a lamentar os transtornos causados pelo Sindicato dos Rodoviários, alegando que “ações como esta não podem ocorrer, especialmente sem diálogo prévio com empresas, órgão gestor e governo”. Nada foi dito sobre cobrança aos motoristas.

Já o Grande Recife Consórcio de Transporte, também por nota, informou que fez ação paliativa, “pois devido às fortes chuvas é preciso pelo menos de quatro a cinco dias de sol para que seja feito o serviço”. E lembrou que um novo terminal está em fase final de construção, dependendo apenas de pavimentação não realizada devido às chuvas. A obra está com dois anos de atraso. O GRCT disse ainda que mandou ofício à Prefeitura de Olinda nesta quarta-feira (29) pedindo reparos na Estrada do Passarinho.

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