Motorista e cobrador depõem sobre acidente que matou universitária

O motorista e o cobrador do ônibus que levava Camila Mirele, jovem que morreu ao cair do veículo em movimento, no dia 8, prestam depoimento à polícia na manhã desta sexta-feira (15), na Delegacia de Acidentes e Delitos de Trânsito, no Recife. O acidente aconteceu na BR-101, próximo à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), também na capital. Os dois funcionários chegaram juntos e os depoimentos começaram às 9h30, pelo relato do motorista. Não há previsão de quando os depoimentos devem ser finalizados.

A polícia já ouviu cinco depoimentos, sendo um do pai da vítima e quatro de testemunhas que estavam dentro do ônibus no dia do acidente. Nesta sexta-feira (15), a previsão é de que apenas o motorista e o cobrador sejam ouvidos. O perito que realizou a perícia no coletivo, na terça (12), também compareceu à delegacia, para fazer medições no motorista e cobrador e verificar detalhes como o ângulo de visão deles.

O motorista tem 31 anos e trabalha como motorista há 11. O cobrador tem 54 anos e exerce a função há seis; os nomes não foram divulgados. Os dois funcionários prestam depoimento acompanhados de dois advogados: Noélia Brito, advogada do Sindicato dos Rodoviários, e Francisco Valentim, advogado da Empresa Metropolitana, à qual o coletivo envolvido no acidente pertence. “Estamos aqui representando o Sindicato dos Rodoviários, para garantir que eles tenham toda a liberdade, no seu depoimento, de declarar apenas o que realmente aconteceu, para que eles não sejam pressionados. Eles são associados ao sindicato e o sindicato entendeu por bem prestar toda a assessoria jurídica a eles”, explicou Noélia Brito. A advogada também informou que, a princípio, motorista e cobrador não devem se pronunciar sobre o caso.

Noélia Brito esclareceu ainda que o motorista tem certeza de que não abriu a porta do veículo — o que causou o acidente. “Ele tem segurança disso e veio esclarecer isso perante a polícia. Ele não viu se houve um defeito na porta, ou se alguém acionou o botão de emergência que existe em toda porta de coletivo; quem vai ver isso é a perícia”, disse, pontuando que o motorista não conseguiu ver o acidente por causa da quantidade de pessoas dentro do ônibus.

A advogada apontou ainda que o motorista não tem autonomia sobre a fiscalização quanto à lotação dos ônibus ou à prática de “queimar paradas”, relatada pelos outros usuários que estavam presentes no ônibus. “Para isso existe uma promotoria de transporte, existe o o Ministério Público, existe o Grande Recife, essas entidades se omitiram. Porque elas veem há anos que o pessoal denuncia como o transporte público está uma catástrofe e nenhum órgão toma nenhuma providência. Infelizmente teve que acontecer toda essa tragédia, que trouxe sofrimento para a família e para a sociedade, e só agora estão sendo tomadas providências. A gente espera que isso sirva de lição para que medidas sejam tomadas”, comentou.

Francisco Valentim, que representa a Empresa Metropolitana, se limitou a informar que a empresa está providenciando tudo o que é solicitado para as investigações. “A empresa tem total interesse em esclarecer os fatos. A situação ainda é muito recente e os fatos ainda estão sendo apurados”, comentou.

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