Menor que sobreviveu a linchamento fará reconhecimento de suspeitos na próxima sexta-feira

O menor de 17 anos que sobreviveu às agressões que resultaram na morte de Cleidenilson Pereira da Silva, de 29, no dia 6 de julho, vai participar, na próxima sexta-feira, de uma sessão de reconhecimento promovida pela Delegacia de Homicídios, que investiga o caso. Armados com um revólver, os dois tentaram assaltar um bar no bairro de Jardim São Cristóvão, em São Luís, capital do Maranhão, mas acabaram espancados. Amarrado a um poste e atingido por chutes, socos e golpes com uma garrafa de cerveja, Cleidenilson não resistiu aos ferimentos.

De acordo com a polícia, pelo menos três homens que teriam participado do linchamento poderão ser reconhecidos pelo adolescente. O objetivo é individualizar a autoria do crime, determinando qual a parcela de culpa de cada agressor. O trio, porém, já prestou depoimento anteriormente na sede da especializada, e negou qualquer ato de violência contra as vítimas.

– Eles afirmam que tudo partiu de populares e alegam não ter tomado partido, mas não sabem precisar quem seriam esses agressores. De qualquer forma, pode-se dizer que os três foram ouvidos na condição de suspeitos e estão sendo investigados – explicou o delegado Guilherme Filho.

Um dos três suspeitos que irá participar da sessão de reconhecimento, ainda segundo a polícia, é filho do dono do bar que seria assaltado pelo menor e por Cleidenilson. Ele aparece em um vídeo dando um soco e um chute no adolescente, que já está amarrado nas imagens.

– Tomando como base o vídeo que está circulando, não há como afirmar que meu cliente teria participado de um ato contra a vida. Além disso, é temerária qualquer precipitação nesse sentido, até porque ainda não foi determinada sequer a causa da morte – afirmou o advogado Dimas Salustiano, que representa a família do comerciante.

Os agentes ainda buscam identificar e localizar outros dois agressores, até o momento conhecidos apenas pelo primeiro nome. Um deles, inclusive, seria menor de idade. Ao todo, cerca de 15 pessoas que testemunharam o espancamento já foram ouvidas.

– Ainda é cedo para dizer se pediremos a prisão preventiva de alguém. Até agora, não encontramos dificuldades em relação aos suspeitos, que compareceram à delegacia e prestaram depoimento normalmente – disse o delegado.

A expectativa dos investigadores é concluir o inquérito já na próxima semana. A intenção é enquadrar os agressores pelo homicídio triplamente qualificado de Cleidenilson – cometido por motivo torpe, sem chance de defesa e por meio cruel -, além da tentativa de homicídio contra o adolescente.

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