Menina morta por pit bull já havia sido mordida um dia antes pelo animal

Vizinhos que ouviram os pedidos de socorro da mãe e presenciaram o ataque de um pit bull a uma criança em Santos, no litoral de São Paulo, relatam que o cachorro já havia mordido a mão da menina um dia antes, na segunda-feira (29). Yasmim Ferreira Costa, de um ano e nove meses, não resistiu aos ferimentos e morreu nesta terça (30).

Yasmim foi atacada pelo pit bull no quintal da casa dela. A mãe, que presenciou o ataque, precisou ser internada em estado de choque e acabou sendo sedada pelos médicos.

Uma vizinha, que presenciou toda a cena da janela de sua casa, diz que estava com seu filho quando começou a ouvir os gritos e o latido do cachorro. “Foi terrível, nunca imaginei que fosse presenciar uma coisa dessas. Vi a criança cheia de sangue e a mãe gritando. Um vizinho entrou com um pedaço de madeira na mão, foi quando escutei o cachorro gemer e, do nada, sair com a boca toda ensanguentada”, relata Elaine Gonçalves dos Santos.

Segundo Elaine, a mãe, que tem outro bebê de seis meses, pedia por socorro o tempo todo, para tentar salvar a criança, que foi derrubada pelo cachorro e arrastada para um canto do quintal da casa. “Eu fiquei nervosa, tentei pegar uma mangueira para lavar a criança, mas a mãe estava desnorteada”, comenta.

Francisco da Silva, que tem uma oficina mecânica no bairro, estava conversando com um amigo quando começou a escutar os gritos. Ele pegou seu carro e levou mãe e filha para o Pronto Socorro da Zona Leste. “O tempo todo que estávamos no carro, ela pedia para que Deus salvasse a menina. Passei em todos os sinais vermelhos, queria salvar a criança de qualquer jeito. Assim que chegamos ao PS, ela saiu correndo com a filha no colo”, explica Francisco.

De acordo com a Polícia Militar, a família havia se mudado há apenas dois meses para a cidade e alugou a parte dos fundos do sobrado de um policial. O cachorro já vivia solto no quintal e pertence ao dono do imóvel, que mora em outro local. O pai da criança não estava em casa quando aconteceu o acidente.

Em depoimento, testemunhas confirmaram que o cachorro já estava no imóvel antes do aluguel, e que, até então, não havia dado problemas ou demonstrado sinais de agressividade. No entanto, já havia mordido a mão da criança no dia anterior ao episódio.

“É um tipo de situação horrível, que a gente não gosta nem de imaginar. Mas, infelizmente, temos que tomar como exemplo. Apesar de dócil e bom, é um cão de grande porte, temos que sempre prever o pior, independente da conduta normal do animal”, diz o delegado Jorge Álvaro Gonçalves Cruz.

Assustado após o ataque, o cachorro fugiu pelo portão e só foi encontrado posteriormente. Ele foi levado para uma clínica veterinária e depois encaminhado para o Centro de Zoonoses da cidade. O caso foi registrado no 3º Distrito Policial (DP) de Santos.

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