Jovem Maria Alice será enterrada sem velório em cemitério do Recife

Maria Alice Seabra, 19 anos, será enterrada na manhã desta sexta-feira (26) no cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. Segundo a família da jovem, apenas uma oração rápida será realizada antes do sepultamento. Não haverá velório por causa do estado do corpo da jovem, encontrado na última quarta (24) em um canavial de Itapissuma, no Grande Recife, já em estado de decomposição.

Antes do sepultamento, a família se despede da jovem em uma funerária próxima ao cemitério. Além da mãe e das irmãs, estão presentes tios e primos de Maria Alice. Também participam da cerimônia parentes de Gildo Xavier, assassino confesso da enteada. Todos estão muito tristes e não conseguem aceitar o crime.

A jovem ainda foi homenageada por vizinhos e amigos do colégio, que tentavam se consolar lembrando do bom humor de Maria Alice. “Não conheço ninguém que não gostasse dela. É muito difícil, ainda mais do jeito que foi”, disse Renata do Nascimento, que estudava e morava ao lado da jovem, no bairro da Estância, na Zona Oeste do Recife. Renata ainda preparou uma camisa para o grupo de amigos com a foto de Maria Alice, a hashtag #eternaalice e a frase ‘Ela andava certa. Nós que andávamos errado’.

O sepultamento acontece exatamente uma semana depois do desaparecimento da jovem, que saiu de casa com o padrasto Gildo Xavier para uma entrevista de emprego na sexta passada (19). Ela no entanto, acabou espancada, estuprada e morta dentro do carro alugado pelo padrasto. Em depoimento à polícia, na quinta-feira (25), o homem confessou o crime, planejado por quase dois meses e motivado por desejo sexual.

Gildo Xavier se entregou à polícia e está preso no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, também no Grande Recife. Ele será indiciado por quatro crimes: sequestro qualificado (porque foi para fins libidinosos); estupro; homicídio qualificado por motivo torpe, sem chance de defesa e feminicídio; e ocultação de cadáver. A pena máxima prevista é de 48 anos de reclusão.

Segundo a delegada Gleide Ângelo, que investigou o caso no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Gildo contou todos os detalhes do crime de forma fria durante o depoimento de quinta-feira (25). Em entrevista ao Bom Dia Pernambuco desta sexta, a delegada deu mais detalhes do caso. Ela explicou, por exemplo, o motivo de Maria Alice ter sido encontrada com uma bermuda do padrasto. “Ele disse que quando parou o carro, tirou a calça jeans dela e a estuprou. Quando ela morreu, ele ia soltar o corpo em qualquer lugar, mas ficou com medo de ser parado em uma blitz e ela estar sem roupa. Então, abriu a mala e pegou uma bermuda sua, que era mais fácil de colocar na menina que a calça jeans dela”, revelou.

Gleide ainda contou que Gildo já havia agredido Maria Alice em fevereiro deste ano, após uma crise de ciúme. “No carnaval, o tio da menina disse que estava na hora de ela arrumar um namorado. Quando eles chegaram em casa, Gildo a agrediu dizendo ‘ele fala isso e você não fala nada?'”, conta. Mesmo assim, a família nunca teria percebido nenhuma atitude suspeita. Esse caso, por exemplo, teria sido entendido como ciúme de pai. “Ele criava a menina desde os 4 anos, era próximo como um pai. Ninguém nunca observou nada, mas tem gente que é dissimulado mesmo. Em casa é uma coisa e fora de casa é outra. Dentro de casa, ele era acima de qualquer suspeita. A filha dele dormia no mesmo quarto de Maria Alice. Como ela ia fazer alguma coisa? Então, ficou esperando o momento de cometer o crime”, revela a delegada.

 

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