Hilda Beatriz foi morta com requintes de crueldade

Atualizado às 19h55

A crueldade usada na morte da garota Hilda Beatriz, de 2 anos e 9 meses, não teve limites. Depois de levar a garota da casa da tia, em Pau Amarelo, bairro de Paulista, no Grande Recife, o suspeito do crime, o pedreiro Washington Gusmão Ferraz Júnior, 33, teria espancado e asfixiado até a morte a criança e enterrado o corpinho em um buraco com menos de um metro quadrado de largura. A pequena Hilda foi enrolada num cobertor, colocada dentro de um saco plástico, sob um fogão velho de um casebre na Favela da Antena, comunidade pobre do mesmo bairro. E a violência não parou por aí. O corpo da garota seria tratado como um saco de lixo e despachado na manhã deste sábado, dia de coleta na comunidade. Após esconder o cadáver, o pedreiro permaneceu na residência bebendo cachaça com os donos, um casal preso pela Polícia Civil por envolvimento com o crime.

Maria do Socorro Oliveira, 54, e o marido dela, Heudes Luiz dos Santos, 40, eram amigos do acusado e, segundo informações de vizinhos, os três tinham uma relação amorosa há pelo menos seis anos. Bebiam juntos e Maria do Socorro, inclusive, costumava proteger Washington em qualquer situação. Ela seria apaixonada pelo pedreiro e, por isso, permitiu que ele usasse seu casebre para esconder o corpo da criança.

A polícia entendeu que, pelo tamanho do casebre – apenas um vão com um pequeno banheiro –, seria impossível o casal não ter conhecimento que o corpo da garota estava enterrado no local. Antes de sequestrar Hilda Beatriz, Washington Gusmão, apontado por vizinhos como um viciado em crack e bebida, tinha invadido a casa da tia da criança, Raquel Rodrigues de Azevedo, 31, ferindo-a gravemente a facadas, e assassinado a outra tia, Janaína Rodrigues de Azevedo, 39.

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O corpo de Hilda Beatriz só foi encontrado às 21h30 da sexta-feira por insistência da dona de casa Luzilândia Gomes, 50, vizinha e amiga de Maria do Socorro. Foi ela quem desconfiou das atitudes da amiga e, após muita insistência, encontrou o corpo enterrado sob o fogão do casebre. “Comecei a desconfiar porque sabia que Washington tinha um caso com Maria do Socorro e percebi ela muito tensa, enquanto a polícia e moradores procuravam pela menina. Pedi para entrar na casa, olhei em alguns lugares e não achei nada. Voltei depois, ainda mais desconfiada, e percebi o fogão sobre tijolos. Quando vi que havia areia remexida em baixo percebi a crueldade. A menina foi morta por ele e trazida para ser escondida na casa da amante, que concordou com tudo”, contou Dona Lu, como Luzilândia é conhecida na comunidade.

Em depoimento, Maria do Socorro caiu várias vezes em contradição. Inicialmente, alegou não saber de nada, mas em seguida disse que viu o amante enterrando “algo”, sem saber o que era. Washington, entretanto, foi visto por vizinhos entrando na casa com uma caixa coberta por um saco. Pediu uma escavadeira emprestada ao marido de Luzilândia e quando devolveu o equipamento estava com a caixa vazia.

A delegada Vilaneida Aguiar, de plantão no DHPP e quem fez a ouvida do casal, acredita que o suspeito de matar a criança sabia o que estava fazendo porque tentou despistar os vizinhos. “Ele chegou muito drogado pela manhã, mas não o suficiente para impedir que pedisse a ferramenta emprestada. Fingiu que ia trabalhar, deu voltas na comunidade, despistou. Isso prova que planejou tudo”, disse. O motivo para que o suspeito espancasse até a morte a criança, matasse uma tia e ferisse outra ainda não está esclarecido pela polícia. Há uma suspeita de que ele teria praticado o crime porque as duas mulheres o teriam visto praticando furtos num supermercado do bairro, mas a informação não foi confirmada pela polícia.

VELÓRIO E ENTERRO – Foi num clima de muita emoção e revolta que o corpo de Hilda Beatriz foi velado, na tarde deste sábado, na Assembleia de Deus de Pau Amarelo. A cerimônia também foi de despedida para Janaína Azevedo, 39 anos, morta com oito golpes de faca.

A igreja estava lotada de amigos, familiares das vítimas e desconhecidos que se compadeceram com a história que teve um fim trágico. A mãe, bastante abalada, não conseguiu conversar com a imprensa. Um amigo da família, há 20 anos, que preferiu não se identificar, reforça que “não se explica o inexplicável”. A família mora no condomínio há uns três anos e Washington já morava lá com a mãe e a filha de 9 anos. Ele era uma pessoa muito calada e ríspida, mas nunca teve alguma desavença nesse tempo”.

A família era bem conhecida na igreja. O pai, Eli de Lima Botelho, é dono de uma ótica e a mãe, Fabiana de Azevedo, já foi missionária no exterior. O Pastor Robério Amorim disse que os pais de Hilda são pessoas muito dedicadas à congregação. “Eles têm uma história em nossa igreja”, ressaltou.

Janaína de Azevedo, uma das vítimas, era professora de inglês na cidade de Gravatá, no Agreste do Estado, onde morava, e estava na cidade visitando a família. O sepultamento das vítimas será no cemitério Morada da Paz, também em Paulista.

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