Grupo faz ato contra projeto de lei da terceirização no Recife

Integrantes de movimentos sociais e de sindicatos trabalhistas fizeram, nesta terça-feira (7), no Centro do Recife, um ato contra o projeto de lei 4.330/2004, que regulamenta contratos de terceirização no mercado de trabalho. A Central Única de Trabalhadores (CUT), que convocou a manifestação na capital pernambucana, estima que cerca de 5.000 pessoas foram às ruas. A Polícia Militar, que acompanha o protesto, contabilizou 350 pessoas. Já a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) do Recife diz que havia 800 manifestantes na região. O grupo estava concentrado no Parque Treze de Maio e e saiu em passeata por volta das 17h15. Eles seguiram até a Avenida Guararapes e o protesto dispersou por volta das 18h30, na Praça da Independência.

Participam do ato no Recife integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação Trabalhadores Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social de Pernambuco (Sindsprev-PE), Sindicato dos Bancários de Pernambuco e Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE), e contam com apoio do PT. Eles defendem a Petrobras e os direitos dos trabalhadores. Os manifestantes também cobram uma reforma política, reforma tributária e a regulamentação da mídia.

O presidente regional da CUT, Carlos Veras, disse que o projeto prevê a terceirização de forma indiscriminada. “Ataca o direito dos trabalhadores, rasga a CLT e não beneficia os atuais terceirizados, estamos aqui para pedir também a revogação das MPs 664 e 665, que dificultam o acesso dos trabalhadores a direitos como seguro-desemprego, e pedir a defesa da Petrobras, para que ela continue a primeira petrolífera do mundo e gere emprego para os brasileiros”.

Para o diretor regional da FUP, Luiz Antônio Lorezon, todas as conquistas consolidadas na CLT vão se tornar inócuas caso o PL seja aprovado. “Esse ato é nacional e a federação apoia porque sabe que por trás do PL está a precarização do trabalho”. “Nós, metalúrgicos, estamos nos unindo não só em Pernambuco, mas em todo o Brasil para ir contra o PL 4.330 que significa a precarização dos salários e condições de trabalho. No nosso setor a gente já sofre com a terceirização, a exemplo dos trabalhadores que foram demitidos dos Estaleiros Atlântico Sul e Promar, em Suape, que não receberam as verbas rescisórias”, completou o presidente do Sindmetal-PE, Henrique Gomes.

Já um dos diretores regionais do MST, Jaime Amorim, afirmou que o movimento saiu às ruas contra a terceirização e em defesa de outros direitos. “Nós estamos aqui por conta do nosso lema ‘Nenhum direito a menos’, defendendo a classe trabalhadora. Também temos outras bandeira bem definidas, como a defesa da Petrobras, reforma política, reforma tributária, regulamentação da mídia e contra o golpe articulado pelos conservadores”.

A presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Jaqueline Melo, acredita que o PL precariza o trabalho. “No caso da nossa categoria, corremos o risco, por exemplo, de ter extintos, a médio prazo, os concursos públicos, com a contratação de empresas terceirizadas. Já sofremos com assédio moral, insegurança, ainda vem esse projeto que consideramos um completo absurdo do jeito que está”.

O diretor do Sindmetro-PE, Eraldo Oliveira, destacou que a manifestação não é de uma única categoria. “É de todos os trabalhadores porque esse PL visa banir da sociedade as atividades meio e fim, terceirizando-as. Hoje temos terceirizados no metrô, nos setores de segurança, limpeza e bilheteria e as empresas que os contrataram vivem atrasando pagamento de salários, vale-refeição e transporte e até depósito de encargos sociais”, denunciou.

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