Grafite: “Eu não tinha a dimensão desse carinho”

Sorridente e esbanjando felicidade, o atacante Grafite foi só entusiasmo da descida do helicóptero à última pergunta na coletiva de imprensa. Quase em todas as perguntas ele agradeceu pelo carinho recebido e afirmou que faria de tudo para retribuir todo o apoio. Até parecia um menino diante da sua primeira experiência no profissional tamanho o entusiasmo em voltar a vestir a camisa do Santa Cruz. Confira como foi a entrevista do atacante.

Emoção no desembarque

Não sabia o que fazer dentro do helicóptero, se fazia um vídeo ou se tirava uma foto. Fiquei perdido, tanto que fiquei preso ao cinto na hora de sair. Passei por muitas emoções nesses 13 anos fora do Santa Cruz, mas nunca tive uma recepção dessa maneira.

Motivo para voltar

Acho que o projeto, identidade com o clube, ter sido projetado e morar aqui. Tudo isso pesou bastante na minha decisão. A diretoria fez um projeto que estou acreditando e sei que posso me encaixar muito bem. Houve alguns contatos de clubes da Primeira Divisão, mas nada de forma oficial. Até porque há duas semanas eu não me imaginava estar aqui. O projeto do Santa Cruz me surpreendeu e estou engajado para poder ajudar nessa minha volta.

Responsabilidade

Sei que a minha responsabilidade é muito grande pela história que tenho no Santa Cruz e no futebol brasileiro. Sei que não posso fazer nada sozinho, tenho essa plena consciência. Espero jogar bem e fazer gols.

Liderança

Posso ter esse papel dentro do grupo, não como um líder, mas ajudando dentro de campo, principalmente os mais jovens. Dentro de campo todo mundo espera que eu jogue bem e marque gols. E eu também. O primeiro grande objetivo será a caminhada rumo à Série A, mas será um passo de cada vez. Essa nossa caminhada não vai ser fácil.

Amadurecimento

Recordo-me em 2001, quando estreei contra o Internacional. Eu nem era jogador profissional. No começo foi complicado, mas tive apoio de vários jogadores e do Murici Ramalho, que era o nosso técnico. Agora volto mais experiente, com rodagem pelo futebol europeu e asiático. Não volto com status de jogador consagrado ou ídolo, mas vou querer mostrar isso dentro de campo.

Carinho da torcida

Foi difícil (me segurar) na hora que sai do helicóptero. Aquele monte de torcedores, não sei quantos tinham hoje aqui no Arruda. Eu não tinha a dimensão desse carinho. Ontem (terça-feira), após o pronunciamento do presidente que tinha fechado a minha contratação, vi que os torcedores e a imprensa estavam eufóricos. Só que hoje (quarta-feira) tive realmente a noção do que represento para o clube e para Pernambuco. Espero retribuir isso tudo com muito profissionalismo. Estava até receoso em andar de helicóptero, mas foi maneiro. Obrigado, presidente.

Estreia

Venho de uma inatividade. Meu último jogo foi no dia 26 de maio e depois só atuei em algumas peladas desde que cheguei ao Brasil. Mas fiz isso para descansar. A temporada não foi fácil. Agora na semana passada comecei a recuperação física. No domingo eu volto para Dubai para agilizar a minha volta ao Santa Cruz o mais rápido possível. Meu contrato (com o Al-Sadd) está vigente até 31 de julho, mas vou negociar com eles para tentar rescindir e voltar o mais rápido e me apresentar ao professor Marcelo Martelotte. Pelo que me conheço, no começo de agosto devo estar pronto para jogar.

Encerrar a carreira

Primeiro vou analisar como será esse ano. Se tudo ocorrer bem, há até uma possibilidade de renovação por minha parte. Espero que pelo clube também. Verdade que não sou mais aquele menino como na primeira passagem. Agora tenho 36 anos, mas também um bom condicionamento físico e minha genética ajuda. Espero ter um bom desempenho dentro de campo e estender minha carreira por mais anos. Hoje, meu objetivo não é encerrar a carreira no próximo ano.

Projeção de gols

Se eu falar que não penso em gols estarei mentindo. Lógico que penso, mas agora é um passo de cada vez. Futebol é um esporte coletivo. Não adianta ser artilheiro da competição, com 20 gols, e o Santa Cruz permanecer na Série B.

Camisa 23

Esse número já vem me acompanhando há oito anos, desde 2007, quando cheguei na Alemanha. É um número que vem me dando sorte, com títulos e gols. Desde o começo das negociações que o Santa Cruz dizia que procurava um camisa 9 e achava que queriam que eu jogasse com a número 9. Ontem (terça-feira, dia do martelo batido) perguntei ao presidente se poderia jogar com a 23 e ele deixou sem problema. Espero que esse número me traga sorte aqui também.

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