Filha de dançarina goiana morta está 'arrasada' após ameaças, diz família

A família da estudante de 11 anos, filha da dançarina goiana de funk Amanda Bueno, morta aos 29 anos no Rio de Janeiro, disse que a garota está “arrasada” após receber ameaças e ofensas no seu perfil de uma rede social. A Polícia Civil começou a investigar o caso depois que um boletim de ocorrência foi registrado.

“Ela está muito triste com essa situação. Eu estava ao seu lado quando ela viu a mensagem. Ela começou a chorar e ficou muito chateada”, disse ao G1 Valsirlândia Lopes Sena, tia da menina e irmã de Amanda.

A menina postou, no último dia 21, o recado enviado a ela que dizia: “Que sirva de exemplo para você e as mulheres”, se referindo ao assassinato de sua mãe. Na publicação, ela pede que seus amigos denunciem o homem que enviou o texto.

A tia disse que o usuário que postou a mensagem já foi bloqueado e que a garota não o conhece. Apesar disso, a estudante não deve excluir sua conta na rede social.

Valsirlândia conta ainda que a sobrinha ainda não retornou à escola após a morte da mãe. “Ela está tentando se recuperar, mas quando fica sozinha, começa a chorar, ainda sente muita falta da mãe. Parece que [o homicídio]foi hoje”, diz.

Investigação
Segundo o delegado Daniel Nunes Guimarães, titular o 1º DP de Anápolis e responsável pelo caso, a família registrou ocorrência pelo crime de injúria na noite de quarta-feira (22). Ele disse que vai buscar dados junto à rede social para proceder com a investigação.

“Acredito que pode ser um perfil fake [que postou a ofensa], mas ainda estamos investigando. Estamos tentando obter informações do local de acesso e das características do computador”, disse ao G1.

De acordo com Guimarães, se o autor da postagem for condenado, pode pegar de um a seis meses de prisão devido ao crime ser considerado de menor potencial ofensivo.

Ele explica ainda que está cada vez mais comum a utilização da internet para este tipo de crime. “É muito constante. As pessoas acham que a rede é uma terra sem lei, que podem fazer o que quiserem e ficar impunes, mas todos os crimes deixam vestígios e existe punição”, destaca.

Crime
O crime ocorreu na casa onde Amanda morava com o noivo, na região da Posse, em Nova Iguaçu (RJ). Segundo a polícia, no vídeo que mostra o homicídio, é possível ver que Miltinho pegou a vítima pelo pescoço, bateu com a cabeça dela 11 vezes em uma pedra do jardim e deu 10 coronhadas na cabeça dela. Em seguida, entrou em casa, vestiu o colete à prova de balas e se armou com um revólver, três pistolas e uma espingarda calibre 12. Ao passar pelo corpo, deu tiros com a pistola e com a espingarda no rosto da vítima.

Após a morte, Miltinho saiu, rendeu dois homens e roubou um carro, mas foi preso logo depois do crime, ao capotar durante fuga da polícia. Quatro armas, incluindo uma escopeta semelhante à que aparece no vídeo, foram encontradas no veículo.

Para o delegado Fábio Cardoso, Divisão de Homicídios da Baixada, o crime pode ter sido motivado por ciúmes. Miltinho teria almoçado com uma ex-namorada que, no dia do crime, ligou para Amanda para provocá-la. A ligação teria gerado uma briga, e o noivo saiu de casa. Mais tarde, ele teria voltado cambaleando.

Após ser preso, Miltinho admitiu o assassinato, segundo afirmou o advogado Hugo Assumpção. O defensor destacou que ele alegou ter sofrido um “surto” e que está arrependido do crime. Em depoimento, no entanto, ele se reservou o direito de ficar calado, conforme esclareceu o delegado Fábio Raboso, responsável pelas investigações.

A polícia ainda apura se o suspeito tem ligação com milícias na região da Baixada Fluminense. “Diante do que a gente viu nesse crime, verificando o poderio financeiro dele, com veículos muito caros, a posse de um verdadeiro arsenal, com armas de grosso calibre e farta munição, somado ao fato dele estar envolvido com exploração do transporte clandestino na cidade e considerando essa violência desmedida com uma pessoa com quem ele vivia, tudo indica que ele pode ter envolvimento com grupos criminosos que atuam naquela região”, disse o delegado.

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