Falso empresário dá golpe em jovem, e vídeos de sexo vão parar na web

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um homem suspeito de convencer mulheres a se deixarem filmar em cenas de sexo mediante depósitos falsos de R$ 3 mil nas contas delas. Nos registros, feitos por meio do aplicativo Dubsmash, o homem e as vítimas dublam o funk “Tava no fluxo”. Três jovens já registraram ocorrência, mas pelo menos mais uma garota teve vídeos divulgados na web. Ouvido por um delegado, o homem confessou apenas um dos crimes – o depósito falso.

De acordo com a polícia, ele pode ser indiciado por violação sexual mediante fraude, cuja pena vai de 2 a 6 anos de prisão, e por difamação, que tem pena de 3 meses a 1 ano de prisão.

As vítimas relatam que o suspeito se apresentava como um empresário rico e dizia estar em busca de jovens para trabalhar em um evento. O contato inicial ocorria por meio de redes sociais, às vezes intermediado por uma mulher que se identificava como a responsável por contratar as garotas.

Depois de elas aceitarem o convite, o homem ia ao banco e fazia o depósito sem colocar o dinheiro no envelope. Então, enviava o comprovante para as jovens e combinava de encontrá-las em casa para discutir os detalhes do evento.

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Preferindo não se identificar, uma das vítimas contou que foi demitida do trabalho depois que dois vídeos dela caíram em sites pornôs. A jovem, que tem 18 anos e mora em Águas Claras, afirma que até a mãe dela recebeu as imagens.

“Estou ‘queimada’ na família. Ninguém quer andar comigo”, relata. “Ele disse que trabalhava com engenharia, que era rico, que ia me dar muito dinheiro. O evento ia ser na próxima semana, em Goiânia.”

De acordo com a jovem, o suspeito só deixou claro que pretendia fazer as filmagens ao subir para o apartamento dela e ameaçou agredi-la caso ela discordasse. A garota conta que topou o serviço, pelo qual receberia R$ 6 mil, por medo e por precisar do dinheiro.

“Tem homem que acha isso bonito, que diz que vai fazer também. […] Ontem mesmo [o suspeito]falou que vai vir atrás de mim, que eu vacilei com ele [por denunciá-lo]”, afirma.

Outra vítima, uma estudante de direito de 22 anos diz que teve o celular roubado justamente por não deixar o homem filmar a cena. “Ele apertou meu braço, falou que não depositou esse dinheiro todo à toa. Eu tive relações com ele porque ele ficou me pressionando.”

Ela, que também preferiu não se identificar por medo de represália, relata que o suspeito só descobriu o endereço dela porque pediu que as interessadas enviassem currículo para a vaga de promotora de eventos. A jovem classificou o homem como “louco”.

Segundo o delegado-chefe da 19ª DP, Fernando Fernandes, uma terceira vítima o procurou para relatar ter sofrido do mesmo crime. O policial conseguiu ouvir o suspeito, que disse que conhecia as garotas de um grupo de cem casais que semanalmente trocava de parceiros e que, junto com uma das meninas, decidiu pregar uma peça nas outras.

“Em determinado momento, ele teria combinado uma brincadeira com uma delas para simular o depósito de R$ 3 mil nas contas delas para fazer os vídeos. Esses encontros eram filmados e registrados pelos próprios membros. O constrangimento, para ele, só aconteceu porque as imagens pararam em redes sociais”, diz Fernandes.

O homem não assumiu ser o responsável pela divulgação das imagens e registrou queixa por difamação. A polícia investiga se as outras garotas do grupo, que têm entre 20 e 24 anos, também foram vítimas do crime e já identificou duas meninas que não tiveram as imagens viralizadas. A pena por difamação é de 3 meses a 1 ano de prisão.

“Se comprovado que houve a fraude sexual, nós podemos configurar violação sexual mediante fraude, que tem pena de 2 a 6 anos de prisão. Agora vamos fazer uma ação preventiva para que mais vídeos não surjam. Pelo menos cem mulheres estariam sujeitas a ter as imagens divulgadas. Eles mantinham aquele acordo de cavalheiros, de que aquelas imagens não sairiam deles. O swing não é crime, mas espalhar os vídeos, sim”, explica o delegado.

Os crimes aconteceram no início de junho. As mulheres afirmam que foram ao hospital, fizeram exames e tomaram pílula do dia seguinte.

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