Elba e Alceu fazem Marco Zero ferver no adeus ao carnaval do Recife

O carnaval recifense terminou sem choro nem vela no Marco Zero, no Bairro do Recife, na madrugada desta Quarta-Feira de Cinzas (18). Mesmo que o tom fosse de despedida, shows repletos de frevos animaram o público que compareceu no polo mais famoso da capital. Claudionor e Nonô Germano, Maestro Forró, Alceu Valença e Elba Ramalho foram escalados para fechar a programação da folia, seguidos pelo já tradicional arrastão do orquestrão.

O início da noite foi chuvoso, mas nem todo mundo desanimou. A solução para os mais resistentes foi comprar uma capa contra a água, como fez os casais Eliane e Gerson Bugarin e Morgana Fon e Rogério Alves. “É que queremos aproveitar mais um pouco. A gente quer ver os shows e também ficar circulando pelas ruas, vendo o movimento, as fantasias”, explicou Eliane.

Enquanto Claudionor e Nonô Germano faziam a festa no Marco Zero, Siba tocava na Praça do Arsenal, também no Bairro do Recife. Já a Academia da Berlinda animava o público do Pátio de São Pedro, na mesma região central da cidade.

Uma diversidade de ritmos que encantou turistas, como os cariocas Rafael Souza e Karina Costa. “Este foi o meu primeiro ano aqui e eu adorei, lembra muito o carnaval de rua do Rio, mas é mais democrático, com vários blocos passando em um mesmo local”, disse Karina.
Eles aproveitaram a passagem pelo Bairro do Recife para conhecer a troça Cinza das Horas, que já desfila na Terça Gorda desde 2004. O nome é uma referência ao livro homônimo do escritor Manuel Bandeira, e os participantes carregam velas para derramar as cinzas no Rio Capibaribe. A ideia é se despedir da folia com o renascimento do frevo na rua.

O percurso da troça passou perto do Cais da Alfândega, onde esteve instalado o Rec Beat, festival que completou 20 edições em 2015. Lucas Santanna, Juçara Marças e Luiz Melodia foram as atrações mais aguardadas da última noite, que ainda teve Nego Moçambique.
Enquanto ocorriam as apresentações no Rec Beat, Maestro Forró comandava a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, com homenagens a Claudionor Germano, Chico Science e outros, além de canções autorais do último trabalho, “Cabeça do Mundo”, que ganhou o prêmio da música popular brasileira em 2014.

O público também vibrou com o show de Alceu Valença, que tocou hits da carreira, como “Anunciação” e “Voltei, Recife”.  “A gente veio todos os dias para o Marco Zero, vimos vários shows, mas terminar o carnaval com Alceu é especial, nós adoramos ele”, afirmou a aposentada Socorro Samico, 66 anos, que foi à festa fantasiada de presidiária.

Elba Ramalho subiu com meia hora de antecedência, tocando sucessos diversos, de Titãs, Ivete Sangalo, Luiz Gonzaga a André Rio, sem esquecer hinos de agremiações e canções de Carlos Fernando, compositor pernambucano que foi um dos homenageados do Galo da Madrugada deste ano. Foi ele quem compôs o frevo “Banho de Cheiro”, famosa na voz da paraibana. “Este ano, vou gravar um CD só com frevos, tenho mais de 30 para resgatar e também mostrar músicas da nova geração”, comentou.

A despedida assim foi menos dolorosa, mesmo com a cara séria das estudantes Érika Madureira e Mariana Oliveira, que encarnaram personagem mexicano La Muerte. “É que estamos de luto pelo fim do carnaval”, brincou Érika.

Despedida até de manhã
Já foi na madrugada da Quarta Feira de Cinzas quando Maestro Spok subiu no palco do Marco Zero para comandar os cerca de 150 músicos numa grande orquestra de frevo, alongando a despedida. Nem o tempo fechado afastou o público, que ainda no começo da manhã continuava dançando ciranda e pulando com bonecos gigantes no Centro do Recife. Puxados pelas figuras gigantes e passistas, os foliões seguiram com o arrastão do frevo pelas ruas do Recife Antigo para finalmente dar adeus ao carnaval.

 

Comentários