'Cunhado xingava desde sumiço', diz irmã de jovem morta após 'triângulo'

Uma das irmãs da universitária Taitiane do Nascimento, encontrada morta após se envolver em um triângulo amoroso com um casal de amigos, afirmou que vai lutar pela punição dos suspeitos do assassinato e acusa o cunhado, marido da vítima, de ter participação no desaparecimento da jovem.

“Estou muito esperançosa de que vão prender esses bandidos”, disse Bibiane Nascimento, irmã da vítima. Taitiane estava desaparecida desde setembro do ano passado. Segundo a polícia, o esposo de Taitiane e uma colega de faculdade da vítima são suspeitos do crime.  

Segundo a polícia, uma ossada encontrada no dia 16 de abril no bairro Tarumã, em Manaus, é de Taitiane. Peritos da Polícia Civil teriam identificado uma perfuração de tiro na cabeça da universitária, o que indicaria o homicídio.

Casada, Taitiane se envolveu com uma colega de classe — que também era comprometida e que convenceu o marido a formar um triâgulo amoroso com as duas. Segundo a polícia, o marido da amiga se apaixonou por Taitiane e isso criou uma rivalidade entre ambas.

Ainda de acordo com a polícia, a colega teria, então, procurado o marido de Taitiane, Domingos Roberto, e revelado o caso. Com ciúmes, os dois teriam planejado a morte da universitária e são os principais suspeitos do crime.

Nesta quinta-feira (14), a família de Taitiane afirmou ao G1 que Domingos estaria evitando contato com a família da jovem. “Na última vez que consegui falar com ele [antes da confirmação da morte], ele disse para esquecê-lo e que ela [Taitiane] nunca iria aparecer. Ele não atende mais o celular”, relatou a irmã da vítima, Bibiane Santos, de 29 anos.

Segundo a família, depois do desaparecimento da vítima, Domingos não teria colaborado com informações sobre o caso. “Ele era super grosseiro, ficava xingando minha irmã de vagabunda e outros palavrões. Ele dizia para esquecê-lo e que o caso dela seria como o da Eliza Samudio [ex-amante do goleiro Bruno, que desapareceu em 2010], e que jamais a encontraríamos”, acrescentou.

A reação do homem surpreendeu os familiares. “Antes de ele ser apontado como suspeito, a gente esperava que ele ficaria do nosso lado, ajudando nas buscas, já que ele disse que teria perdoado ela (sic) pela traição. Era o mínimo que ele podia fazer, mas ele nunca foi prestativo nesse sentido”, disse Bibiane.

A irmã da vítima disse ainda que a amiga de Taitiane, outra suspeita no caso, também não atende as ligações da família.

Conforme Bibiane, a família já tinha a notícia da morte de Taitiane há um mês. “Vi pela televisão que tinham encontrado uma ossada de mulher e fui no IML [Instituto Médico Legal] no mesmo dia. Lá, eu vi um sapato e reconheci que era dela, o sapatinho branco que ela usava para ir para a faculdade”, contou.

Após reconhecer o objeto, ela informou ter ido ao dentista de Taitiane para ter o molde da arcada dentária da irmã, o que constatou que as ossadas seriam da estudante desaparecida.

“Tivemos que preparar a nossa mãe para dar a notícia. Ela ficou arrasada. Ainda está sendo muito difícil. Ela [mãe] está tendo problemas de saúde por conta disso tudo, não consegue mais nem dormir. Hoje, ela toma remédio controlado e ainda está muito frágil”, afirmou ao G1.

Após oito meses da confirmação da morte da universitária, a família aguarda pela prisão dos suspeitos. “Eu espero justiça em Deus, que é o único advogado. Agora eu estou muito esperançosa de que vão prender esses bandidos”, disse.

Investigação
As investigações sobre o desaparecimento de Taitiane foram coordenadas pela delegada Catarina Saldanha, da Deops. Com a confirmação da morte da universitária, o caso passará para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

“Vou ver quais são os documentos coletados até o momento, me inteirar sobre a apuração que foi feita pela Deops e, a partir daí, desenvolver uma linha de investigação. Semana que vem pode ser que já tenhamos uma posição sobre o caso”, disse o titular da DEHS, Ivo Martins.

O G1 não conseguiu entrar em contato com a colega de Taitiane e nem com Domingos Roberto.

O caso
Segundo a família de Taitiane, ela desapareceu no dia 15 de setembro do ano passado. O marido foi o último a vê-la com vida, no município de Manacapuru, onde o casal tinha um restaurante.

Ainda conforme familiares, Domingos Roberto disse que a universitária voltou dirigindo para Manaus. O carro dela foi deixado estacionado em frente ao apartamento em que morava, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul da capital. As chaves foram encontradas no imóvel, que estava trancado e sem sinal de arrombamento.

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