Comunidade acadêmica da UPE para em protesto contra corte de verbas

As salas de aula estão vazias em todos os campi da Universidade de Pernambuco (UPE) nesta quarta-feira (20). Os ambulatórios dos três hospitais vinculados à instituição — Oswaldo Cruz (Huoc), Procape e Cisam — também estão sem funcionar no Recife. A paralisação é organizada por professores, estudantes e servidores e mostra a insatisfação dos segmentos com a redução do orçamento da universidade, que teria sido provocada pelo Plano de Contingenciamento de Gastos instaurado pelo Governo de Pernambuco em fevereiro.

Em nota, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Sectec) informou que “ao contrário do que vem sendo amplamente divulgado, não há nenhum corte na verba de custeio previsto para o exercício de 2015. Na verdade, em relação ao ano de 2014, há um aumento de mais de R$ 600 mil na verba de custeio da Universidade de Pernambuco (UPE)”.

O movimento também fez uma passeata de protesto no Recife na manhã desta quarta. A comunidade acadêmica se concentrou desde as 7h na frente do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, e caminhou em direção ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual no bairro de Santo Antônio. Chegando ao palácio, entregaram uma carta de reivindicações. “Esta é uma mobilização conjunta de estudantes, professores e servidores. Por isso, o documento abrange as pautas dos três segmentos. Nós vamos mostrar que, do jeito que as coisas estão, a universidade não funciona”, conta Elvis Arruda, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UPE.

A comunidade reclama que, com a redução do orçamento, a universidade vem sofrendo diversos problemas. Atraso no pagamento dos professores e falta de verba para compra de materiais de limpeza estão entre as queixas. Estudantes ainda reclamam que as aulas noturnas estão acabando mais cedo para a universidade economizar na conta de energia. Os ramais telefônicos dos hospitais universitários também estariam sendo cortados. Nos hospitais, também há problemas com aquisição de materiais, reparo de equipamentos e terceirização de exames. “Os diretores têm conversado claramente com a gente para expor a situação e as metas de economia. Com orçamento que tem hoje, a universidade não sobrevive no segundo semestre”, afirma o presidente do DCE.

“A universidade, ao longo dos anos, já vinha sofrendo problemas de administração por conta dos parcos recursos que o governo manda. Mas agora, com o contingenciamento, o que é  pouco vai ser reduzido ainda mais. Com a redução, fica difícil manter serviços elementares como material de limpeza e infraestrutura mínima. Alguns diretores já têm se queixado que precisam decidir entre o material de limpeza e a conta de energia”, conta José Rosa de Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores da UPE (Sindupe). A Seção Sindical dos Docentes da UPE (Adupe) também participa da manifestação. Uma das queixas dos professores é o atraso dos salários e a falta de estruturação da carreira.

Segundo Rosa, todas as reivindicações estão na carta que será entregue ao governador ao fim do protesto. “Entre as pautas, está o corte de gastos. Mas a comunidade acadêmica também discute outras questões há anos e elas estão presentes, como a reestruturação da carreira dos servidores e a melhoria da assistência estudantil”, explica. Por isso, o documento é dividido em seis eixos prioritários: contra o corte de verba por parte do governo, em favor da autonomia financeira, pela reestruturação das carreiras, por concurso público, em defesa da política de assistência estudantil e por melhor infraestrutura. “Estamos focando em questões gerais, principalmente o corte de verbas, porque sabemos que cada campus tem uma necessidade específica. E, com o repasse, cada um poderá repassar o dinheiro para suas necessidades mais urgentes”, completa Elvis Arruda, lembrando que a carta foi elaborada em assembleia na semana passada.

Outra assembleia está marcada para a manhã da quinta-feira (21) na Faculdade de Ciências Médicas, no Recife. Segundo Rosa, a paralisação desta quarta é um movimento de advertência. Outras paralisações não estão programadas, mas a intenção é que as aulas não sejam retomadas na manhã de quinta para que todos possam participar da assembleia, que começa às 10h. Na ocasião, servidores, estudantes e professores devem avaliar a manifestação desta quarta e decidir os rumos do movimento.

O corte de verbas reclamado pela comunidade teria sido provocado pelo Plano de Contingenciamento de Gastos instaurado em 3 de fevereiro pelo Governo do Estado. Publicado no Diário Oficial, o plano prevê a racionalização de R$ 320 milhões ao longo de 2015. Na época, o governo explicou que “a medida leva em consideração as projeções econômicas e financeiras do País que apontam para um cenário fiscal restritivo, com ausência de crescimento da economia brasileira, taxa de juros alta e consequente baixa projeção para o incremento de receitas para os estados”.  Para isso, foram feitas propostas como o corte nas consultorias, a redução dos custos para telefonia fixa e móvel, a suspensão de novos contratos de terceirização e aumento da eficiência energética. Por ser vinculada à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Sectec), a UPE está entre as instituições sujeitas ao contingenciamento.

A reitoria da Universidade de Pernambucoainda não se posicionou sobre a paralisação desta quarta-feira (20).

Confira a íntegra da nota da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Sectec):
O Governo de Pernambuco, ao longo dos últimos anos, vem trabalhando para valorizar, cada vez mais, a Universidade de Pernambuco – UPE. O Governador Paulo Câmara tem demonstrado, diversas vezes, apreço pelo fortalecimento dessa importante instituição de ensino superior e pesquisa, inclusive autorizando, neste ano de 2015, contratação de professores e a construção de novas unidades.

Ao contrário do que vem sendo amplamente divulgado, não há nenhum corte na verba de custeio previsto para o exercício de 2015. Na verdade, em relação ao ano de 2014, há um aumento de mais de R$ 600 mil na verba de custeio da Universidade de Pernambuco (UPE).

Somando aos investimentos previstos, na ordem de R$ 4,4 milhões que inclui a construção das unidades de Serra Talhada e Caruaru, a UPE receberá em 2015 um total de R$ 28,4 milhões. Um nível superior ao ano passado.

Para solucionar o problema de falta de professores em unidades da UPE, o Governo Estadual já autorizou, neste primeiro semestre, concurso para contratação de mais de 100 profissionais de educação superior. O primeiro concurso – para 50 professores – já está em andamento. E o segundo, com mais 50 vagas para professores, já está em processo de autorização.

Mais 280 vagas de professores já estão autorizadas, pelo Governo do Estado, para realização de concurso público até o final de 2017.

O Governo que tem feito, mesmo num ano de crise econômica, todos os esforços para fortalecer e consolidar a Universidade de Pernambuco, inclusive com investimentos superiores ao exercício passado. Além disso, tão logo o Governo Federal autorize a captação de novos recursos, Pernambuco retomará os investimentos na UPE, de forma a consolidar o processo de interiorização da universidade.”

 

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