Com quase um mês de greve, clima nas universidades federais de Pernambuco é de incerteza

A situação é incerta nas universidades federais pernambucanas. Os professores estão em greve há quase um mês e, enquanto alguns alunos concordam com a paralisação, o clima entre outros é de apreensão. Poucas informações chegaram a eles; uma delas é que o calendário acadêmico já foi afetado. No Estado, aderiram ao movimento nacional, que conta com mais de 50 instituições paralisadas, as universidades Federal e Federal Rural de Pernambuco (UFPE e UFRPE) e a do Vale do São Francisco (Univasf).

Os docentes protestam contra a situação atual da carreira e a estagnação nas negociações com o governo para um rejuste salarial. De acordo com os manifestantes, o governo não cumpriu o acordo feito em 2011. O acordo garantia um reajuste de 4% a partir de março deste ano, incorporação da gratificação específica do magistério superior (Gemas) e compromisso de reestruturar as carreiras do magistério superior e ensino básico, técnico e tecnológico. Nessa terça-feira (11), representantes dos professores reuniram-se com o governo federal, que pediu “trégua” de 20 dias aos docentes para continuar as negociações. Outro encontro está marcado para o dia 19.

Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a paralisação começou no dia 17 de maio. Os estudantes reclamam, sobretudo, da falta de informação. “Ouvimos por aí que os professores não podem fazer chamada, mas eles continuam fazendo e ficamos sem saber o que fazer. Não sabemos nem se seremos prejudicados se aderirmos ao movimento”, afirma o aluno do 4º período de letras Renato Neves. Boa parte dos professores continua dando aulas.

A greve na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também começou no último dia 17. Ao contrário da UFPE, a adesão dos docentes à mobilização é quase absoluta. “Só um professor continua a dar aula, o de álgebra linear. Posso afirmar que a maioria dos professores do departamento de matematica está em greve”, diz João Victor Teixeira, do 5º período de licenciatura em matemática.

A paralisação na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), onde cerca de 95% dos professores e os estudantes aderiram, começou no dia 15. São cinco campi espalhados nos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí e quase 4,6 mil alunos estão sem atividades. A estudante do 2º período de medicina Raíssa Vasconcelos estuda em Petrolina, no Sertão pernambucano, e aguarda, no Recife, uma decisão sobre a mobilização, que considera justa. “Toda a minha sala aderiu porque acreditamos na luta por uma educação pública de qualidade. Lógico que me sinto prejudicada, mas acho que os ganhos são maiores.”

As três universidades só farão reajustes no calendário acadêmico ao final da greve. “As duas únicas certezas são que os docentes se comprometeram a cumprir os 100 dias letivos e que o segundo semestre já está comprometido”, aponta o vice-reitor da Univasf, Télio Nobre Leite. Os professores da universidade solicitaram a suspensão do calendário. Segundo o vice-reitor, o pedido está sendo analisado juridicamente e será discutido pelo conselho universitário nesta sexta-feira (11).

Depois que a paralisação acabar, os docentes devem repor as aulas e avaliar os alunos. “Eles (os professores) pararam e disseram que dariam informações no decorrer da greve. Até agora só anunciaram que iriam paralisar, mais nada”, diz Renato Neves, que está preocupado com a duração do movimento porque viaja em setembro para a Espanha, onde vai cursar um semestre.

Na UFRPE, alguns professores enviam as atividades por e-mail. “Em economia de empresas, conseguimos ainda fazer duas provas antes. A última vai ser um trabalho via e-mail”, comenta o estudante do 3º período de administração da UFRPE Anderson Guerra. O problema é que o calendário será reajustado mesmo com o adiantamento das atividades, já que todas as turmas devem começar as aulas do semestre juntas.

Ainda não há previsão para o fim da greve. Segundo o vice-presidente da Adufepe, José Luís Simões, as férias de julho já estão comprometidas, mas há chances de a paralisação não resultar em prejuízos à programação do próximo semestre. “Tudo vai depender do governo. O resultado da reunião foi aquém do que a categoria esperava; mesmo assim, é importante continuar otimista.”

PESQUISA – Apesar de muitas aulas não estarem acontecendo nessas três universidades, algumas pesquisas e projetos de extensão continuam. Segundo o vice-presidente da Adufepe, a paralisação depende da área. “Alguns têm prazo para entrega de relatórios, participação em congressos, entre outras atividades inadiáveis”. Na Univasf, uma assembleia dos professores decidiu pela manutenção da pesquisa.

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) entregou uma solicitação à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pela coordenação das pesquisas, solicitando aumento do prazo. “Quem tem bolsa e usa recursos da Capes, deve contar com a compreensão deles”, completa.

PRÓXIMAS ATIVIDADES – A Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe) e dos professores da UFRPE realizaram assembleia para discutir os encaminhamentos da greve nessa quarta-feira (13). Para esta quinta-feira (14), as duas entidades marcaram um ato de protesto na Praça da Independência, mais conhecida como Praça do Diário, no Centro do Recife. A entidade que representa os docentes da Univasf, Sindunivasf, tem assembleia marcada para a próxima terça-feira (19).

TÉCNICOS – Desde o último dia 11, os técnicos administrativos das universidades também entraram em greve. São mais de cinco mil servidores. A categoria pede melhorias na carreira, reajuste salarial de 20,08%, implementação de 30 horas semanais, além de se posicionarem contra a implementação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que tiraria a autonomia das instituições de ensino na gerência dos hospitais universitários.

Agora, além da falta de muitas aulas, bibliotecas, atendimento e outros serviços administrativos não funcionam por tempo indeterminado. “Os técnicos estão sempre dialogando com a reitoria. Pedimos a manutenção de serviços inadiáveis, como pagamentos e cumprimento de contratos com empresas terceirizadas”, diz o vice-reitor da Univasf.

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