Cerca de mil ativistas protestam na Marcha das Vadias no Centro do Recife

Aproximadamente mil ativistas, segundo a organização da Marcha das Vadias no Recife,  se concentraram na Praça do Derby, área central do Recife, na tarde deste sábado (30), por volta das 14h. O movimento protesta contra o machismo e defende a legalização do aborto e da inclusão dos transexuais no debate dos direitos das mulheres. As feministas saíram em marcha pela Avenida Conde da Boa Vista e seguiram em direção ao Cinema São Luís, na Rua da Aurora.

Palavras de ordem e batucada animaram as manifestantes durante o trajeto. “Se o aborto é ilegal, a culpa é do capital”, foi uma das frases cantadas em ritmo de funk. Boa parte das mulheres exibiam os seios pintados e os corpos com mensagens provocativas contra o machismo.  “O corpo é meu”, “Vadia livre”, “menos machismo, mais orgasmo”.

“Me incomoda o machismo e a percepção das pessoas de que o mundo ainda é um lugar igualitário. Ainda temos muita coisa para nos levantar contra”, disse a estudante de medicina Camila Pereira, de 23 anos.  Enquanto a estudante dava entrevista ao Jornal do Commercio, um homem tentou desqualificar o formato debochado da manifestação e foi rechaçado pelas participantes. “Hoje quem fala aqui são as mulheres!”, disse um delas.

Antes de saírem em passeata das feministas leram em uníssono a Carta Manifesto do movimento. “Saímos em marcha desde 2011 para contestar e descontruir a ideia de que as mulheres são culpadas pelas agressões que sofrem”, diz um trecho.  Segundo o manifesto, 249 mulheres foram assassinadas no Estado vítimas de machismo e crimes de ódio. “Há um estrupo a cada 10 minutos no Brasil”, denunciam.

O movimento é organizado, pelas redes sociais, em cidades de todo o mundo. No Brasil, a marcha é realizada no final de março em várias cidades do Brasil, incluindo o Recife.  O movimento surgiu a partir de um protesto realizado no dia 3 de abril de 2011 em Toronto, no Canadá, depois de uma série de casos de abuso sexual contra mulheres na Universidade de Toronto. Ao comentar o caso, o policial Michael Sanguinetti fez uma observação para que “as mulheres evitassem se vestir como vadias para não serem vítimas”.

Uma das organizadoras do protesto na capital pernambucana, Wedja Martins, 40 anos, explicou as reivindicações das ativistas. “Nossas principais causas são a luta contra a culpabilização das mulheres no caso de violência, a autonomia do corpo, a inclusão das transexuais no d debate feminista e também queremos um parlamento não fundamentalista, pois estamos num Estado laico”, afirmou.

A maioria da manifestantes são jovens na faixa de até 30 anos. Para Wedja, o movimento ganhou a simpatia das mulheres mais jovens porque nasceu na universidade e é divulgado mundialmente pelas redes sociais. “É natural porque a  maioria é universitária”, comentou.

 

TUMULTOS

Quando a passeata estava na altura do Shopping Boa Vista,  um homem teria proferido ofensas contra as meninas que estavam com os seios pintados e usando sutiã. Depois disso, teria pegado nos seios de uma delas, gerando a confusão. Ele teria se escondido no shoppinga, mas voltou acompanhado de outros homens que, armados com paus e um skate, passaram a bater e ferir algumas das manifestantes. “A polícia demorou para agir”, disse a professora Clarice Souza, de 22 anos. A polícia não resgistrou essa ocorrência.

No início da tarde, ainda na concentração na Praça do Derby, houve tumulto por causa de uma transexual que tentou usar o banheiro público feminino. Um funcionário do local não permitiu sua entrada no banheiro das mulheres e as ativistas tentaram garantir o direito da colega. O funcionário trancou o banheiro e se retirou da praça.

 

HISTÓRIA

 

A Marcha surgiu no dia 3 de abril de 2011, em Toronto, Canadá, com a expressão SlutWalk. Na primeira edição, a manifestação defendeu o direito das mulheres de se vestir, andar e agir de forma livre. Elas prostetaram contra um policial que, numa palestra, sugeriu que as alunas sofriam abuso sexual e eram vítimas de estupro por se vestirem como “vagabundas” (“slut” em inglês). “É um movimento surgido em universidades e convocado através das redes sociais. Isso explica a grande maioria jovem aqui”, contou Wedja Martins.

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