CBF divulga participantes e confirma o Santa Cruz fora da Copa do Brasil

Agora é oficial: fora da Copa do Nordeste, o Santa Cruz também não vai disputar a Copa do Brasil em 2015. Na tarde desta quarta-feira, a CBF divulgou a lista dos 86 participantes. Sport, Náutico e Salgueiro serão os três representantes de Pernambuco. A única chance de o Tricolor, 4º colocado no Campeonato Pernambucano, entrar na competição seria através
do ranking da CBF. A nova lista, porém, divulgada na última segunda-feira, apontou o Santa apenas na 36ª colocação.

Na ocasião, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, ainda cogitava a participação. No entanto, apenas baseado no fato de, até então, a CBF não ter divulgado a lista dos participantes. O prejuízo pela ausência será considerável. Ano passado, o clube faturou mais de R$ 400 mil durante a competição.

Nesta quarta-feira, o presidente ainda em exercício, Antônio Luiz Neto, divulgou uma nota no site oficial do clube com críticas à CBF. Nesta quinta, o novo presidente do executivo, Alírio Moraes, aclamado pelos sócios sem bate-chapa, tomará posse na sede do clube.

Abaixo, leia o texto escrito por Antônio Luiz Neto.

“Não há mais o que contestar. O Futebol Brasileiro está desfederalizado. Os fatos são irrefutáveis, conclusivos. Indiscutíveis. Demonstram que o desequilíbrio de tratamento entre as regiões reflete com inegável clareza que estamos precisando urgentemente realizar uma revisão do formato de disputa das competições nacionais.

É preciso promover uma profunda mudança nas regras de classificação para as disputas promovidas pela CBF, que precisam instituir, além da justa presença, por mérito de pontuação na competição anterior, a necessária e indispensável classificação dos Clubes pela média de público nos estádios como mandante.

Isto, com vistas a reestrear nos campos, diante das plateias, as verdadeiras representações de massa, trazendo-as também, via classificação por mérito nos campeonatos estaduais.

Há igualmente de se adotar nas competições estaduais, regionais e, nacionais o critério de público mínimo e máximo, como indicadores de acesso e de decesso.

Ou é futebol profissional ou não é? Vender patrocínio a quem? Qual público? Que consumidor? Futebol é paixão, é presencial, exige renovação e custa caro. É show business. Não é um estatuto registrado em Cartório com CNPJ debaixo do braço.

Tem que vender camisa, brindes, revista, jornal, dar audiência de rádio, de televisão. Tem que ter casa cheia. Não é brincadeira, nem deve servir a interesses menores inconfessáveis. A participação desse esporte no PIB Nacional é de cerca de 1 por cento. Tem que ser levado a sério.

Os Clubes não podem continuar sendo meros coadjuvantes. Vilões sem culpa. Tem que haver uma urgente desoneração fiscal, a exemplo do que já ocorre com outras importantes atividades motoras do Brasil, como o Turismo, o Lazer, a Cultura.

A legislação trabalhista também deve ser revista. Como podem os Clubes sobreviver com o regime de direitos federativos vigente? Nossos craques vão-se embora cedo. De graça. Não existem mais atrações em todos os times
para atrair o torcedor.

Os Clubes vivem crise, têm de arcar com todas as despesas de organização do espetáculo, inclusive dos borderôs deficitários, quando mandantes das partidas. Poucos são os atletas que se dão bem, a grande maioria é explorada.

Surgiram os chamados empresários. Os novos donatários do futebol. Até a Seleção Brasileira está perdendo. No campo, na audiência, em tudo. Não há mais quem convocar para a Canarinha no Brasil. A mercadoria
rareou.

Quem te viu, quem te vê! Na escalação de 23 atletas da Seleção Brasileira, cerca de 20 vêm do exterior. A necessidade de mudança é urgente. O Estado Brasileiro é uma Federação na qual 70 por cento do orçamento está concentrado no Governo Central. Um grande erro.

Temos um território onde caberiam todos os Países da Europa com seus respectivos orçamentos, com exceção da Rússia. Como pode ocorrer a centralização orçamentária sem comprometer a qualidade de vida dos cidadãos nos Estados Membros.

Fazendo analogia e voltando à forte concentração de riqueza das cotas de patrocínio do futebol brasileiro. Como pode haver um futebol forte no Brasil. Com que receita? Com qual Projeto? De que maneira planejar? Pode um
Clube Nordestino disputar a Série B com R$ 3.000.000,00 e ascender à Série A?

Se ascender à Série A vai se manter? Por quanto tempo? Certamente muita gente há de dizer que tem de apelar para o Padim Ciço, ou Frei Damião. Valer-se na fé em Nosso Senhor Jesus Cristo! Só vai no milagre! Voltando ao assunto, à pergunta que não deve calar.

O Campeonato é Brasileiro ou não é? O que se quer é humilhar o Norte, Nordeste e Centro Oeste? O atual Brasileirão é na verdade o Campeonato Sul/Sudeste com a singela denominação de série A. Puro elitismo. Velado, cínico e odioso. Um verdadeiro desafio às autoridades dos Estados discriminados.

Ao Congresso Nacional. À Presidência da República, Guardiã da União. Não existe a Federação Brasileira no Futebol. Nem existem regras para fazê-la presente e equânime. O que resta às demais regiões são as Séries B, C e, D.

A série B, embora seja uma competição bastante interessante, será mais
uma vez em 2015 aquilo que, nos parece, é a sua função: o CAMPEONATO BRASILEIRO NORDESTINADO, com enxertos de outras regiões. Lamentável. Só acontece no Brasil! Cópia tupiniquim de critérios e campeonatos europeus. Como é que pode?

A distribuição da verba de patrocínio é discriminatória. O critério da divisão das cotas entre os Clubes competidores é absurdamente injusto. Privilegia uma pequena casta, principalmente do Sudeste/Sul, na Série A, mesmo se o Clube cair para a B, como aconteceu este ano com o Vasco da Gama.

Há uma completa desconsideração da verdadeira representação do Futebol Brasileiro, construída ao longo do século XX, em todo o território nacional, com o surgimento de clubes de grandes torcidas consolidadas, em cada Estado Membro, principalmente nas Capitais, onde em consequência,
foram edificados verdadeiros templos do futebol, permitindo ao Brasil tornar-se o País do Futebol, conquistando a Taça Jules Rimet e as Copas do Mundo 05(cinco) vezes, afamar-se como o maior formador de craques do mundo, enfim, espalhar por nosso imenso continente um orgulho
incontido de sermos parte, cada um, da Nação do Futebol.

Espero que alguns dirigentes de Clubes, de Estados marginalizados acordem. Seus Clubes não são considerados grandes pela elite equivocada e suicida do futebol brasileiro.

Eles apenas usam essas instituições como coadjuvantes de um espetáculo que está com prazo certo para acabar. Este ano mais uma vez caíram coadjuvantes.

Há pouco tempo conversei com alguns desses cartolas sobre o que escrevo
neste artigo. Fizeram pose de gente grande. Ouvidos de mercadores. Estavam na Série A. Falaram como se fossem classe A. Bobos. Gente míope.

Não sabiam eles que grandes são as suas torcidas. Os Clubes que elas representam. Seus Estados. A Federação Brasileira. Esta sim, é grande e tem que ser respeitada.

Tem que ser restaurada, representada, reinstituída num verdadeiro Campeonato Brasileiro, com justos critérios de classificação por mérito e por público, fulcrados nos campeonatos locais e nacionais, lembrando também, que o trabalhador brasileiro tem de ser obrigatoriamente respeitado no seu sagrado tempo, para poder voltar a frequentar os estádios de segunda a sexta-feira e, nos sábados e domingos.

Nobre é o torcedor. A ele deve ser oferecido o melhor horário. Aliás, devemos reverências a sua majestade o público. Ao torcedor que é o grande promotor desse imenso empreendimento. Patrão de todos os patrocinadores, de todos os organizadores, de todas as autoridades e de quem emana o poder exercido.

Ele está em todos os Estados da Federação Brasileira pronto para encher as arquibancadas de um verdadeiro Campeonato Brasileiro”.

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