Cachorros abandonados em casa do Recife são levados para tratamento

O Centro de Vigilância Ambiental do Recife retirou, na manha desta quinta-feira (26), dez do cerca de oitenta cachorros que foram abandonados em uma casa na Avenida Norte, no bairro da Encruzilhada, no Recife. A decisão da retirada foi tomada durante audiência no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), na quarta-feira (25). Outros dez cachorros devem ser retirados ainda na tarde desta quinta. Participaram da ação cinco oficiais de controle animal e uma veterinária clinica.

Os cães serão levados para a clínica do Centro de Vigilância Ambiental, que fica em Peixinhos, Olinda, onde devem ser atendidos por uma equipe de seis veterinários da Secretaria-Executiva dos Direitos dos Animais (Seda). De acordo com o gerente de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonose, Jurandir Almeida, os cachorros mais debilitados foram selecionados para receberem tratamento primeiro. “Lá eles vão receber atendimento, consultas, vacinação”, destacou.

Após serem atendidos, os animais voltarão para a casa na Avenida Norte, onde ficarão por até 90 dias, prazo dado pelo MPPE para que a situação seja resolvida. Os órgãos envolvidos no caso, no entanto, esperam que todos os cães sejam adotados antes disso. “A gente quer promover a adoção logo, se possível na própria casa. Nossa ideia é apoiar, ajudar o máximo”, contou Sidney Nicéas, representante do movimento Mascote de Rua.

Após a triagem, os animais também receberão microchips subcutâneos, o que ajudará a CVA a identificá-los. “Quem adotar o cachorro vai preencher um formulário e se responsabilizar”, explicou Almeida. De acordo com ele, se o órgão encontrar na rua o animal que foi adotado, quem o adotou responderá judicialmente, uma vez que o abandono constitui crime. “Da mesma forma, se o cachorro fugir, o dono pode nos avisar e através do microchip poderemos identificá-lo”, afirmou.

 

Saúde
A seleção dos cachorros levados inicialmente para receber atendimento veterinário foi feita pela equipe da CVA que esteve no local na manhã desta quinta (26). De acordo com a veterinária da equipe, Jael Amaral, mais de 90% dos animais apresentam problemas de pele. “Eles têm dermatite, sarna, fungos. Tem animais desnutridos, também, e com ferimentos, por causa das brigas entre eles”, explicou. Segundo Amaral, os cachorros serão vacinados e vermifugados, alem de receberem medicações. Para Sidney Nicéas, a questão também envolve a saúde publica. “Se você não cuida dos animais, pode ter proliferação de doenças”, afirmou.

Adoção
Após a triagem dos cachorros, uma feira de adoção sera realizada no domingo (29), no Shopping RioMar. Segundo o administrador do imóvel, Sérgio Borba, a feira sera promovida pela Seda e nela serão adotados os cães saudáveis. “Eles [os cachorros]vão voltar para a casa. No domingo, irão para a adoção somente os cachorros sadios. Paralelamente, vamos ter outros eventos de adoção”, ressaltou.

A CVA também se comprometeu em dar o suporte necessário. “O trabalho é contínuo, até que a gente consiga adoção para todos os animais”, afirmou Jurandir Almeida, lembrando também que quem se interessar em adotar um dos animais pode escolhê-lo e entrar em contato com a CVA. O órgão pode inclusive levar o cachorro até a casa do novo dono. “A próxima etapa é que as pessoas que têm condições [de cuidar dos cachorros]se sensibilizem e adotem. Isso requer um empenho de todas as partes: poder público, sociedade, as ONGs que estão envolvidas conosco. É uma parceria”, completou.

O representante da ONG Mascote de Rua, Sidney Nicéas, também comentou que a entidade pretende se organizar para promover uma feira de adoção na própria casa onde os cachorros foram deixados. “A ideia é higienizar a casa e conseguir adoção para todos”, afirmou, lembrando que muitas pessoas estão empenhadas em ajudar. “Já recebemos mais de uma tonelada de ração e muito material de limpeza também”, comentou.

Retirada
A retirada dos animais ocorre após o dono do imóvel ter encontrado cerca de 80 cachorros dentro da casa, devolvida pela inquilina. De acordo com Borba, o proprietário não sabia da existência dos animais até entrar no imóvel, o que aconteceu na segunda-feira (16). A ex-inquilina, uma idosa de 60 anos que não quis se identificar, não quis falar a respeito do assunto.

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