Brasileiro é dono da empresa que exportou lixo hospitalar para Pernambuco.

O dono da empresa que exportou lixo hospitalar dos Estados Unidos para Pernambuco, a Tex Port Inc, é cearense. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) pela Polícia Federal (PF), que investiga o caso dos contêineres apreendidos no Porto de Suape, na Região Metropolitana do Recife, em outubro deste ano. Os recipientes continham 46 toneladas de tecidos e materiais de hospitais norte-americanos que seriam entregues à empresa Na Intimidade, localizada em Santa Cruz do Capibaribe, Agreste pernambucano.
Na terça-feira (20), policiais federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão nos bairros Meireles, Álvaro Wayne e Henrique Jorge, todos em Fortaleza, no Ceará. Os agentes foram à residência do empresário e à do irmão dele, proprietário de uma importadora de tecidos, que também foi alvo da operação. Os nomes deles não foram divulgados.

Nos locais, a polícia apreendeu lixo hospitalar, computadores, documentos e R$ 320 mil em dinheiro. Alguns dos lençóis encontrados na importadora são similares aos apreendidos nos dois contêineres no Porto de Suape e em empresas no interior de Pernambuco. O material foi encaminhado para a PF no Recife e será entregue ao Instituto Nacional de Criminalística, que deve concluir as perícias dentro de 40 dias.
De acordo com o diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Nilson Antunes da Silva, o empresário reside nos Estados Unidos e revendia, através da Tex Port Inc, tecidos hospitalares americanos para a importadora do irmão e para a importadora Na Intimidade. “Esses são os dois únicos clientes identificados pela polícia até o momento. Mas, com a perícia dos documentos, é possível encontrarmos outros compradores e, quem sabe, até descobrir se há outras portas de entrada de lixo hospitalar além do Porto de Suape”, disse.

Segundo a polícia, a Tex Port Inc foi criada em 2000 pelo cearense e, pelos documentos comerciais, só exportava tecidos para o Brasil. A Na Intimidade, pertecente ao empresário Altair Teixeira de Moura, que também é do Ceará, era cliente da empresa desde 2009. “Não encontramos relação de parentesco entre eles. Ele [Moura] disse que encontrou a empresa americana pela internet e que tratava sobre a exportação com um brasileiro. Foi assim que começamos as investigações”, falou Antunes.

Sobre a Tex Port Inc, o superintendente da PF em Pernambuco, Marlon Almeida, informou que não há como comprovar se a exportação de tecidos sempre foi ilegal. No caso do material apreendido no Porto pernambucano, a irregularidade estava registrada na divergência entre o conteúdo declarado – “tecidos de algodão com defeito” – e a mercadoria encontrada no contêiner, lençóis sujos, seringas, cateteres e luvas usadas. “Nós vamos apenas centrar as nossas investigações em torno dos materiais achados aqui, nas empresas pernambucanas e, agora, nos imóveis em Fortaleza”, afirmou Almeida.
O empresário foi notificado para não se ausentar do Ceará sem autorização da Justiça e teve o passaporte retido pela Polícia Federal. O resultado das perícias e análises especializadas dos novos materias recolhidos no Ceará subsidiará as investigações, que já duram dois meses e devem se estender até fevereiro do próximo ano. Após a conclusão do inquérito, ele será remetido para o Ministério Público Federal analisar e decidir se oferecerá a denúncia à Justiça.

Devolução
Nesta semana, a Alfândega da Receita Federal do Brasil, no Porto de Suape, na Região Metropolitana do Recife, autorizou a empresa pernambucana Na Intimidade a devolver ao país de origem os dois contêineres com 46 toneladas de lixo hospitalar que foram importados dos Estados Unidos. O material estava interditado e lacrado desde os dias 11 e 13 de outubro.

No final daquele mês, o dono da importadora, Altair Teixeira de Moura, foi notificado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar início a essa devolução. O material deve ser embarcado no navio Cap Henvi, no dia 7 de janeiro de 2012, e chegar no país americano em um prazo de oito dias.

Segundo a Alfândega da Receita Federal, a empresa, com sede em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste do Estado, que importava o material para fazer forro de bolso, será responsável pela devolução e pelos custos. O procedimento precisou ser negociado com os Estados Unidos, por meio do Ministério das Relações Exteriores.

Fonte: G1.

Comentários

Leave A Reply