Brasil, um país sem preconceito?

Desde que me entendo por gente, desde tempos idos de minha infância que ouço com dúvida essa “caricatura”, mas bastaram algumas ascensões de determinados grupos para que o ódio velado e maquiado de “tolerância” dessem lugar à um discurso de ódio de muitas pessoas.

A jornalista da rede globo, Maju, foi apenas mais um caso dentro de um ano tão descarado, de 2014 para cá, os discursos que antes ficavam guardados no “armário” dos intolerantes, foi escancarado.

Na ultima eleição nós nordestinos já tínhamos sido vitimas de vários ataques abertos nas redes sociais, uma discriminação histórica que ficou guardadinha desde a redemocratização e agora ganhou corpo, voz e voto. Os principais alvos são pobres, negros, LGBT, nordestinos, pessoas de esquerda e humanistas. Recentemente a presidenta da República, em visita aos EUA, foi hostilizada, chamada de vagabunda, fato “nunca antes visto na história desse país”.

Não concordo em muita coisa com a atual politica econômica do governo, os cortes de gastos em setores essenciais é um golpe para os trabalhadores, mas ações como essas só escancaram um fator, o quanto nossa direita radical é despolitizada, mal educada , mal informada e machista. A intolerância é o “câncer” da sociedade, é ela que dizima grupos, e quando não age fisicamente como foi o caso do holocausto, ela segrega como se tivéssemos o direito de definir comportamentos, escolhas e direitos, falam dos homossexuais como se estes até merecessem viver, mas “longe dos puros”, usando as palavras do candidato Levy Fidelix num debate ano passado.

Somos cegos, ignoramos o outro, preferimos lutar contra o afeto de duas pessoas do mesmo sexo que lutar contra a fome e desigualdade no mundo. Usamos discursos bem ensaiados proferidos por “lideres”, injuriamos em redes sociais pessoas que não tem pensamento alinhado ao nosso, é só ver quantas e quantas vezes ou mentiram sobre Jean, ou distorceram suas palavras, e nem se dão o trabalho de avaliar a veracidade da informação através de fontes seguras.

Não queridos, o Brasil ainda tem marca forte do tronco e da lenha, ainda temos a marca das feridas dos negros, ainda agimos com omissão aos gritos que vem da “senzala”, hoje transformada em favela.

O Brasil tem que reconhecer seu passado de Crimes contra a humanidade, ter vergonha e aprender a ser de fato tolerante, e ser humano em todos os aspectos.

Comentários