O aumento no valor das passagens de ônibus da Região Metropolitana do Recife será discutido na manhã da próxima sexta-feira (9) na sede do Grande Recife Consórcio Metropolitano de Transporte, no centro da capital pernambucana. A reunião acontece uma semana depois de o secretário das Cidades de Pernambuco, André de Paula, afirmar que “não há como fugir do reajuste”. A declaração foi dada após a cerimônia de posse do novo secretariado do governo estadual, na sexta-feira passada (2), e gerou polêmica entre a sociedade civil. Depois de posts de protesto nas redes sociais, a Frente de Luta Pelo Transporte Público se reuniu na noite de segunda (5) para discutir o tema. Na ocasião, o movimento decidiu realizar um ato popular em frente ao Grande Recife na sexta-feira, no mesmo horário da reunião.

“A mobilização é para que não haja aumento. Nós consideramos que o reajuste é abusivo e injusto, porque não sabemos o custo de operação do sistema de transporte metropolitano”, explicou o representante da Frente de Luta Pelo Transporte Público em Pernambuco, Pedro Josephi, que é advogado. Ele enfatizou que o movimento é contra qualquer aumento nas passagens de ônibus e pede a tarifa única de R$ 2,15 para o Grande Recife. A Frente ainda solicita que as empresas de ônibus tornem públicas suas planilhas de custo. Com isso, o movimento pretende analisar o detalhamento desses gastos para conferir se o reajuste de 23% defendido pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) é realmente necessário. Josephi também não descartou a possibilidade de novos protestos. “A responsabilidade de as manifestações voltarem é do governador Paulo Câmara, que prometeu a tarifa única de R$ 2,15 durante a campanha”, pontua.

A decisão de realizar uma manifestação em frente ao Grande Recife Consórcio de Transporte na próxima sexta foi tomada durante a plenária desta segunda-feira, que reuniu mais de 100 pessoas no Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), na Boa Vista. A plenária teve início às 19h e acabou na rua em frente à Unicap porque a sala do diretório não pôde comportar todos os que compareceram à plenária, divulgada na página da Frente no Facebook. A Frente afirma que “vai ocupar as ruas para barrar este possível aumento”.

Na plenária de segunda-feira, o movimento ainda lançou a campanha ‘Janeiro de Luta pelo Transporte Público’. “É uma campanha que visa à defesa das bandeiras que levantamos na jornada de protestos de junho perante o novo governo de Pernambuco. Entre as pautas, estão a defesa do passe livre, a CPI do transporte púbico e a tarifa única, que foi uma das promessas de campanha do governador Paulo Câmara”, conta Josephi.

A reunião desta sexta-feira foi confirmada pela assessoria de comunicação do Grande Recife Consórcio de Transporte. O encontro está marcado para as 8h e contará com a presença do novo presidente do órgão, Francisco Papaleo, empossado nesta segunda-feira. A assessoria da Urbana-PE confirmou que o presidente do sindicato das empresas de ônibus, Francisco Bandeira, também comparecerá à reunião. Quatro representantes da sociedade civil também foram chamados para o encontro, segundo a Frente de Luta Pelo Transporte Público. A quantidade, no entanto, não é suficiente para o movimento popular. “O conselho do Grande Recife não é paritário. São quatro representantes da sociedade civil contra 15 do poder público e das empresas de ônibus”, reclama Pedro Josephi.

MPPE
Além do ato público da próxima sexta-feira, a Frente de Luta Pelo Transporte Público vai procurar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para reivindicar a ilegalidade da reunião agendada pelo Grande Recife Consórcio de Transporte. Cerca de 15 representantes do movimento farão o pedido nesta quarta-feira (7). Eles alegam que a representação da sociedade civil no conselho do Grande Recife não é suficiente, assim como o reajuste é injustificado. “Vamos nos dirigir ao MPPE para pedir que o Ministério intervenha na situação e peça na justiça a invalidade da reunião. Como já foi pedido em 2013, queremos que as empresas abram sua planilha de custos para entendermos as motivações reais do reajuste das passagens”, afirma o representante da Frente.

Reajuste
A Urbana-PE pede um reajuste de 23% para a tarifa dos ônibus do Grande Recife. Com isso, o valor da passagem do anel A passaria de R$ 2,15 para R$ 2,67. No entanto, o movimento social lembra que este aumento está acima da inflação e do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA). “As empresas ainda contam com isenção de impostos que não é repassada para a tarifa. Com esse aumento, a Urbana mostra mais uma vez que não há diálogo com a população”, reclama Pedro Josephi, da Frente de Luta Popular. Por meio da assessoria de comunicação, a Urbana-PE informou que o reajuste é necessário por causa dos déficits registrados nos últimos dois anos. O órgão alega que os custos com combustível e pessoal aumentaram nesse período, mas o valor das tarifas não. Por isso, as empresas registraram déficit nos rendimentos.

Nesta segunda-feira, o novo presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte, Francisco Papaleo, admitiu a possibilidade de reajuste. No entanto, defendeu, perante os jornalistas que acompanharam sua posse, que o reajuste seja feito com base no Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA). O índice referente ao ano de 2015 ainda não foi divulgado, mas estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o percentual deve girar em torno de 6,6%. Com esse reajuste, o valor do vale A passaria para R$ 2,29. A declaração de Papaleo foi confirmada pela assessoria de comunicação do Grande Recife.

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