Ato fecha BR-101 para lembrar aluna da UFPE que morreu ao cair de ônibus

Revoltados e vestidos de preto, estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e amigos de Camila Mirele realizaram protesto, na tarde desta segunda (11), no campus da instituição, na Zona Oeste do Recife. A jovem de 18 anos morreu na última sexta (8), após cair de um ônibus lotado em movimento, na BR-101, quando a porta do coletivo se abriu. Os estudantes, muitos usuários da linha Barro-Macaxeira, a que aconteceu o acidente, declararam que a “tragédia era anunciada”, por conta da precária situação dos coletivos que circulam pela área, principalmente no horário de pico. Inicialmente, eles fizeram uma passeata silenciosa, em sinal de luto, pedindo justiça e apuração do caso, além de mais ônibus e mais respeito aos usuários do transporte coletivo. Depois, fecharam os dois sentidos da BR-101, nas proximidades da UFPE. Parte dos manifestantes gritava: “o filho do patrão não morre no busão”. A BR-101 foi liberada por volta das 18h30.

Estudantes que estavam no mesmo ônibus que Camila contaram que a jovem foi a última a entrar no veículo, por volta das 19h, ficando espremida na porta do coletivo. Bárbara Lima, também do curso de biomedicina, contou que o motorista furou a parada da Casa do Estudante. “É normal em hora de pico os ônibus passarem a parada. Eles param um pouco depois só para as pessoas descerem. E foi o que aconteceu. Ele passou a parada e abriu a porta ainda em movimento, para as pessoas descerem mais na frente. Só que foi aí que Camila foi arremessada para fora”, contou. Os passageiros do coletivo gritaram, e o motorista parou o ônibus. O corpo da jovem ficou parte na calçada, parte na rodovia, a cerca de quinze passos do ônibus parado, segundo os estudantes.

Após a queda, Camila estava consciente, falou o nome e deu o telefone da mãe. De acordo com o estudante Gabriel Dias, que também estava no coletivo, a jovem tinha ferimentos profundos na perna e tinha o corpo todo vermelho, além de estar com muita sede. “Não tinha nenhum veículo perto, que possa indicar atropelamento. Acreditamos que o pneu do próprio ônibus também não passou por cima, porque teríamos sentido dentro”, disse.

O avô de Camila, Francisco Ferreira, de 74 anos, esteve presente no ato e, emocionado, disse ainda estar chorando a morte da Neta. “Eu sempre disse a ela que queria vê-la formada antes de eu partir. Mas Deus a levou antes. Queria só que todo mundo aqui, que agora considerado meus netos também, cheguem em suas casas com segurança”.

Durante o protesto, os estudantes carregaram cartazes criticando o sistema de transporte público do Grande Recife, pedindo soluções imediatas. “Todo mundo é vítima todos os dias, Camila foi a vítima fatal.  É um sofrimento que é criminoso, como ficou provado agora”, opinou Carlos Eduardo, estudante de biomedicina, usuário do Barro-Macaxeira. Em poucos momentos, os alunos gritaram “Não foi acidente”.

O avô de Camila disse que a família vai processar a empresa de ônibus. “Não queremos dinheiro, mas justiça. O dinheiro que a gente queria era o que minha neta ia ganhar com seu trabalho”.

Em nota, o Grande Recife Consórcio de Transporte, responsável pela administração das linhas e das empresas de ônibus na região, informou que está acompanhando de perto as investigações sobre o acidente. “O Consórcio se pronunciará a partir dos resultados dos órgãos competentes. O GRCT está á disposição das autoridades  para esclarecer e repassar todas as  informações necessárias e adianta, que o ônibus envolvido no caso é novo, ano 2015, está com a vistoria em dia e com todos os itens de segurança dentro das normas legais”. O Grande Recife acrescentou que está tentando entrar em contato com a família da estudante para prestação de assistência.

 

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