Após irritar cúpula do PT, Dilma muda viagem e vai à abertura do congresso do partido

Após irritar a cúpula do PT ao cancelar sua ida à abertura do congresso do partido, nesta quinta-feira (11) em Salvador, a presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar sua volta de Bruxelas e chegar a tempo de estar ao lado do ex-presidente Lula no início do evento.

Até a noite de terça-feira (9), dirigentes petistas já não contavam com a presença de Dilma para a abertura e auxiliares da presidente insistiam que Dilma fosse apenas no encerramento do congresso, no sábado (13). O comando do PT, porém, pedia que ela fosse na sexta-feira (12), quando ainda há discussões em curso.

Após as conversas, o Palácio do Planalto avaliou que o sábado seria um dia de pouco movimento e que a ausência de Dilma poderia causar ainda mais desgaste em sua relação com o partido, já bastante tensa.

Nos últimos dias, o comando do PT e o ex-presidente Lula agiram para acalmar os ânimos de setores da legenda, que preparam críticas diretas à política econômica e à atuação da presidente para serem feitas durante o congresso.

Dilma viajou a Bruxelas no fim da manhã de terça para reunião de cúpula entre União Europeia e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. Deve embarcar de volta ao Brasil no início da tarde de quinta. Com o fuso horário, deve desembarcar em Salvador na noite da abertura do congresso.

RECADO

O PT espera que, no congresso, Dilma “testemunhe” e “chancele” bandeiras que podem reaproximar o partido e o governo de suas bases históricas.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deve ser alvo dos petistas durante o evento. Correntes internas do partido como Novo Rumo, Mensagem ao Partido, DS e Trabalho preparam documentos bastante críticos ao governo.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) também levará ao evento críticas ao ministro e ao governo Dilma, a quem acusa de ter promovido uma “guinada na política econômica, com ataques a direitos dos trabalhadores”.

Petistas pedem à presidente acenos à esquerda em contrapartida ao ajuste fiscal, como benefícios aos trabalhadores, retomada do crescimento econômico, fim do fator previdenciário, imposto sobre fortunas, entre outros temas caros ao governo.

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