Adolescente reúne evidências para provar que irmã era estuprada por tio

Um homem de 35 anos foi preso na manhã desta segunda-feira (20) em Juiz de Fora suspeito de estuprar a sobrinha de dez anos. Segundo a Polícia Civil, o desfecho só foi possível a partir da mobilização do irmão da vítima, de 15 anos, que reuniu provas para entregar à Polícia Civil.

“Ele começou a desconfiar e conversou com ela, que contou tudo. O irmão avisou outros parentes que não acreditaram e exigiram provas. Então, ele se escondeu em uma cômoda e usou o celular para filmar um dos estupros”, explicou a delegada de Mulheres, Ione Moreira.

De acordo com a delegada, o caso começou em janeiro, quando a vítima ainda tinha nove anos e se mudou para uma casa próxima onde vive o suspeito. Segundo a Polícia Civil, a menina foi estuprada nos dois locais, sempre que a mãe e o irmão de 15 anos não estavam em casa.

No entanto, mesmo com as imagens, o adolescente não conseguiu o apoio da família para denunciar. Por isso, convenceu a mãe a buscar ajuda na Polícia Civil.

“Um parente apagou o vídeo do celular. O adolescente não desistiu, ele comprou a briga. Foi à delegacia com a mãe, contou tudo o que viu e entregou o aparelho. A perícia técnica conseguiu recuperar o vídeo. As imagens são fortes. O irmão teve muito sangue frio, coragem e ousadia. Ele se colocou em risco, mas salvou a irmã”, afirmou a delegada. Ione Moreira também explicou que o comportamento desta pessoa que apagou o vídeo, que não teve o grau de parentesco revelado à imprensa, também será apurado no inquérito.

Além do vídeo, o adolescente recolheu e entregou à Polícia Civil material com esperma que foi descartado pelo suspeito após o estupro. “Agora solicitamos material para fazer a comparação. No entanto, a acusação está bem fundamentada. Temos muitas evidências. Ele será indiciado por estupro em continuidade, porque molestou a vítima várias vezes neste período”, garantiu a delegada.

A Polícia Civil recebeu a denúncia em junho. “Trabalhamos para reunir as evidências necessárias. Solicitamos a prisão preventiva com o apoio do Ministério Público. A ordem de prisão foi emitida pela Justiça na sexta-feira (17) e cumprida nesta manhã”, explicou.

Em depoimento na Polícia Civil, o homem informou que só responderá sobre o caso em juízo. Ele foi encaminhado ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp).

Importância da denúncia
Segundo a delegada, este é o quarto caso envolvendo crianças em dois meses. “Os pais e responsáveis precisam observar com quem as crianças se relacionam, inclusive nas redes sociais. Este tipo de pessoa aparenta ser acima de qualquer suspeita e consegue a confiança da vítima e, às vezes, da família”, comentou.

Ione Moreira lembrou que, muitas vezes, os agressores estão próximos às vítimas. “As famílias acham que nunca vai acontecer com elas, mas, na maioria dos casos, são pessoas com algum grau de parentesco. Por isso, é necessário conscientizar para que as pessoas denunciem”, ressaltou.

A Delegacia de Mulher funciona na Rua Uruguaiana, 94, no Bairro Jardim Glória em Juiz de Fora. O telefone de atendimento é (32) 3229-5822.

 

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