Acusada de matar filho no Ceará com chumbinho é transferida para presídio

Cristiane Renata Coelho Severino, acusada de matar o filho, Lewdo Ricardo Coelho Severino, foi encaminhada, na tarde desta segunda-feira (11), para o Presídio Feminino Auri Moura Costa, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. Antes, ela foi levada para a Perícia Forense do Ceará (Pefone) para passar por exame de corpo de delito.

Cristiane Coelho se apresentou à Justiça na tarde de sexta-feira (8) e ficou o fim de semana detida na Delegacia de Inteligência da Polícia. Ela é acusada também de tentar matar o marido, o subtenente do Exército Brasileiro Francileudo Bezerra Severino.

Segundo o promotor de Justiça Humberto Ibiapina, em um prazo de 90 dias, devem ser ouvidos os depoimentos de testemunhas de defesa e acusação. Após esse prazo, a Justiça deve decidir se Cristiane Colho vai ser levada ou não a júri popular. Se condenada, ela pode pegar até 30 anos de prisão.

Cristiane Coelho teve a prisão preventiva decretada na terça-feira (5), pela juíza Daniela Lima da Rocha, que está respondendo pela 3ª Vara do Júri. A juíza também determinou a quebra de sigilo do perfil social em rede social (Facebook) e de e-mails da acusada e da vítima Francileudo Bezerra, relativo ao período de julho de 2013 a janeiro de 2015. A juíza entendeu que o “interesse público deve se sobrepor à proteção constitucional do sigilo individual, para aferição de possível coautoria do delito”.

Na decisão, a juíza ressaltou que os laudos periciais somados aos depoimentos e acareações “demonstram, sem margem de dúvida, a materialidade delitiva, prova de onde também exsurgem mais do que indícios de que Cristiane Renata Coelho Severino utilizou-se de veneno para rato, conhecido popularmente por chumbinho, para ceifar a vida do filho e tentar contra a vida do marido”.

Cristiane Coelho foi indiciada no dia 27 de abril por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra o então marido, o subtenente do Exército Francileudo Bezerra e por homicído triplamente qualificado do filho. Com a decisão, Cristiane passou à condição de ré em ação penal e tem prazo de 10 dias para apresentar a defesa das acusações.

Entre os agravantes dos crimes estão motivo torpe, com emprego de veneno, com recurso que torna impossível a defesa, além da vítima ser criança e filho de Cristiane.

O crime
Na madrugada de 11 de novembro de 2014, o subtenente do Exército Francileudo Bezerra e seu filho Lewdo Bezerra ingeriram veneno para rato conhecido como “chumbinho”. A substância foi encontrada no sifão da pia da cozinha da casa do casal.  O pai ficou internado durante 32 dias no Hospital Geral do Exército, em Fortaleza, dos quais em coma por uma semana, e se recuperou.

O militar chegou a ser apontado como suspeito de homicídio, porque no primeiro depoimento a mulher, Cristiane, contou à polícia que ele tinha matado o filho com tranquilizantes e tentado se matar, além de agredi-la. “A Cristiane, que dizia ter sido espancada pelo marido, matou o filho envenenado fazendo uso de sorvete de morango. Não há mais dúvida”, afirmou o delegado Wilder Brito, presidente do inquérito.

A motivação do crime, de acordo com as investigações, seria um seguro do Exército de cerca de R$ 150 mil, os soldos do militar e um outro seguro que o subtenente havia feito em nome do filho mais velho. “Ela era a principal beneficiária. O pessoal do Exército, os militares, têm um seguro e ela seria a principal beneficiária. Além disso, além do seguro, ela seria  pensionista do Exército, ela não precisaria trabalhar, todo mês o dinheiro ia cair na conta dela”, disse Francileudo Bezerra, em entrevista.

Investigação
A perícia realizada nos equipamentos eletrônicos usados pelo casal – como notebooks e celulares-, aponta que a mãe da criança fazia pesquisas na internet sobre como envenenar pessoas com chumbinho desde o dia 29 de outubro. “Ela pesquisou como matar uma pessoa envenenada, de como seria a dosagem (…). O tempo para matar uma pessoa envenenada dura de 30 minutos a duas horas, dependendo da dosagem, do aspecto físico da pessoa. No caso da criança, é de 30 minutos. Ela estudou tudo isso durante o período em que ela dizia que estava dormindo”, diz.

O documento detalha os termos de busca: “quanto tempo leva para morrer quem ingeriu chumbinho?”; “abordagem dos envenenamentos e das dosagens excessivas de medicamentos”; “matou mulher e ingeriu chumbinho”; “menina de 12 anos morre após ingerir chumbinho em Paulista”; “os elementos da morte” e “suicídio”.

“Com a extração dos primeiros dados, nós percebemos que ela também ficou em redes sociais após a morte do filho, discutindo com os internautas, com as pessoas que estavam em uma rede social. Ela montou uma estrutura de defesa para ela. Mas se ela era a vítima, porque aquele comportamento sempre de defesa?”, questiona o delegado. De acordo com Wilder Brito, o planejamento do crime começou em junho de 2014.

Depois de cinco meses, o delegado Wilder Brito não tem dúvidas de que a mãe é responsável pelo assassinato do filho de 9 anos. “Não há uma prova, é um conjunto de provas que demonstra cabalmente que fica impossível a defesa fazer contestações (…). Cada laudo complementa o outro”, explica o delegado.

Guarda do filho mais novo
Logo após o crime, Cristiane Coelho foi embora para o Recife, em Pernambuco. Ela levou o filho mais novo de 7 anos, e, desde então, o pai não manteve contato com a criança. Decisão da juíza Ana Paula Feitosa de Oliveira, titular da 16ª Vara da Família de Fortaleza, em 24 de abril, retirou a guarda da criança da mãe e transferiu para o pai, Francileudo Bezerra. No dia 28, ele foi buscar a criança na capital pernambucana e o trouxe de volta para Fortaleza. Francileudo Bezerra já deu entrada no pedido de divórcio.

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